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Deus virou as costas para o seu Filho quando na cruz?

Todos os homens que vem ao mundo entram por Adão, que é a porta larga que dá acesso a um caminho largo que conduz à perdição. Por causa de Adão todos os homens são filhos da ira e da desobediência, ou seja, destinados à separação eterna de Deus. Morrer sem Cristo, ou seja, sem nascer de novo pela fé no Descendente prometido a Abraão é perdição eterna. Em vista desta verdade, qualquer que fosse pendurado no madeiro, o que significava morte física, era maldito, pois seguia para a eternidade alienado de Deus.

Recentemente li o artigo “Dois paradoxos na morte de Cristo”, do pastor, conferencista e escritor americano John Piper e fiquei perplexo com a disposição dos argumentos e da conclusão dele acerca de algumas nuances pertinente à morte de Cristo.

A asserção de que Cristo experimentou a maldição do Pai como sendo o ensino evangélico mais comum é até compreensível, porém, fazer uso da passagem da carta de Paulo aos Gálatas: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” ( Gl 3:13 ), para justificar tal consenso é assustador.

O argumento de que foi Deus quem amaldiçoou o seu Filho porque Ele é o autor da lei é espúrio do ponto de vista bíblico. Os argumentos expostos no artigo “Dois paradoxos na morte de Cristo” não refletem o posicionamento das Escrituras. Porém, de toda a argumentação do proeminente escritor no artigo em análise, a aberração maior coube à seguinte declaração: “Portanto, a morte de Cristo pelo nosso pecado e por nossa transgressão da lei foi a experiência da maldição do Pai. É por essa razão que Jesus disse, ‘E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ (Mt 27:46) (...) Na morte de Cristo, Deus lançou sobre ele os pecados do seu povo (Isaías 53.6), os quais odiava. E em ódio por esse pecado, Deus deu as costas a seu Filho carregado de pecados, e o entregou para sofrer todo o poder da morte e da maldição” Piper, John, Artigo: Dois paradoxos na morte de Cristo - grifo nosso (amplamente divulgado na web).

O texto possui imprecisões quanto à interpretação bíblica e reflete um consenso distorcido e divorciado da verdade, pois uma releitura das últimas palavras de Cristo na Cruz deixa nítido que não há paradoxo algum na morte de Cristo e que Deus não amaldiçoou o Seu Filho.

 

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

O evangelista Lucas relata que, após Cristo ter rendido o espírito, o centurião que estava ao pé da cruz fez a seguinte confissão: “Na verdade, este homem era justo” ( Lc 23:47 ), e a multidão que assistiu a crucificação voltou batendo no peito ( Lc 23:48 ).

Ora, Cristo era mestre por excelência, e o evento da crucificação foi cenário de uma aula magna de interpretação das Escrituras, além de constituir-se a vitória da humanidade sobre a maldição do pecado.

É de conhecimento que Jesus ao falar às multidões fazia uso do grego ‘Koine’, língua comum ao povo. Porém, quando da crucificação, Jesus falou uma única frase em aramaico, o que chamou a atenção dos evangelistas, que registraram tal fato tão significativo. Quando Ele disse: - Eli, Eli, lamá sabactâni, muitos não compreenderam o que fora dito, a ponto de interpretarem que Cristo clamava por Elias ( Mt 27:47 ).

Os evangelistas, por sua vez, ao fazer menção da frase pronunciada por Cristo, de pronto providenciaram a tradução do que foi dito, que se resume na seguinte frase: - Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

Naquele instante cruento Jesus não estava lamentando que fora abandonado, antes Ele citou as Escrituras, de modo que, quem o ouviu, posteriormente poderia relacionar o evento da crucificação com o que vaticinara o salmista Davi no salmo 22.

Ao citar as Escrituras, Jesus estava anunciando abertamente a todos que assistiam a crucificação que, naquele instante, cumpria-se o predito no salmo 22. Quando Jesus leu o trecho do profeta Isaías no templo, afirmou categoricamente: - Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos ( Lc 4:21 ), quando bradou na cruz: - Eli, Eli, lamá sabactâni, foi o mesmo que anunciar: - Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.

O salmo 22 é composto de 31 versos. Jesus citou o primeiro verso em aramaico, o que remeteria os ouvintes a considerarem todo o contexto do salmo.

Sabemos que os salmos, na sua grande maioria, constituem-se em profecias messiânicas, pois os salmistas não falavam de si mesmos, mas do Cristo ( 1Cr 25:1 ). Neste salmo é evidenciada a mesma verdade anunciada por Isaias: “...não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos (...) e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido" ( Is 53:2 ).

Qualquer homem que olhasse para Cristo teria a impressão de que ele era aflito, ferido e oprimido por Deus, e o salmo 22, versos 1 à 8 descreve o final da existência do Cristo entre os homens e o desprezo dos seus algozes.

A expressão: - Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? demonstra quão efetivamente as pessoas que assistiram a crucificação tiveram a impressão de que Cristo era aflito, ferido e oprimido por Deus.

Era evidente o contraste entre Cristo e os demais homens. Nestes oito versos é profetizado a visão que os homens teriam de Cristo: verme e opróbrio dos homens “A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram, e não foram confundidos. Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo” ( Sl 22:5 -6).

Cristo clamou ao Pai no Getsêmani para que, segundo a vontade do Pai, passasse dele o cálice. Aparentemente Cristo não foi atendido, uma vez que Ele bebeu o cálice que o Pai deu a beber e, na hora da crucificação as pessoas diziam em tom de deboche: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” ( Mt 27:43 ), porém, o livramento do Pai estava além túmulo, algo que os homens não compreendiam: "Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção" ( Sl 16:10 ); "Para que viva para sempre, e não veja corrupção" ( Sl 49:9 ).

Os versos seguintes do salmo 22 demonstram a confiança de Cristo no Pai, pois Ele sabia que fora lançado do ventre materno por Deus ( Sl 22:9 -10). Qualquer que compreende as Escrituras sabe que na morte de Cristo estava a vitória d’Ele e, concomitantemente, a vitória da humanidade. A crucificação é a pedra de toque para se identificar quem crê ou não na salvação providenciada por Deus ( 1Co 1:23 ).

A petição do verso 1 do salmo 22 fica esclarecida à luz do verso 11. A profecia revela as nuances da aflição através dos seguintes rogos: - Deus meu, Deus meu! "E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" ( Sl 50:15 ). Ou seja, o salmo 22 prescreve o modo como Cristo na angustia deveria clamar ao Pai, pois deste modo haveria de glorificar o Pai “Os quais pronunciaram os meus lábios, e falou a minha boca, quando estava na angústia (...) A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua ( Sl 66:14 e 17).

A profecia revela a confiança do Filho no Pai, de modo que, mesmo na aflição sabia que o Pai seria com Ele “Não te alongues de mim” é expressão de confiança em quem poderia auxiliá-Lo na angustia, pois aquele era o momento de passar pelo vale da sombra da morte, e só Deus poderia auxiliá-Lo “Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude” ( Sl 22:11 ).

Assim como o profeta anuncia que o Pai haveria de responder e estar com o Filho na aflição “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei” (Sl 91:15 ), de igual modo o profeta deixa registrado que o Filho haveria de invocar o Pai ( Sl 22: 1 e 11).

Do verso 12 ao 21 são descritos vários eventos pertinentes à crucificação, porém, do verso 23 em diante, o salmista descreve profeticamente uma sobre-excelente vitória em meio ao sofrimento, e apresenta o motivo: “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ).

O verso deixa claro que Deus não desprezou e nem abominou a aflição de Cristo. De igual modo deixa claro que Deus não escondeu d’Ele o seu rosto, ou seja, Deus nunca deu as costas para o seu Filho. É mentira tal ideia que se anuncia em muitos púlpitos evangélicos! Deus não abandonou e nem deu as costa para o seu Filho como divulgam, pois o salmo é claro: “Quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ); “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei” ( Sl 91:15 ; Sl 56:13 ; Sl 20:6 ).

Cristo não foi desprezado e nem tido por abominação diante de Deus apesar da aflição e de ser o aflito de Deus, d’Ele não escondeu o seu rosto, o que contraria a ideia de que Deus voltou as costas para o seu Filho em decorrência do pecado da humanidade “E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado; ouve-me depressa (...) Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre” ( Sl 69:17 -21).

Como Deus poderia esconder o seu rosto do sacrifício perfeito? Cristo é o cordeiro morto desde a fundação do mundo. Cordeiro sem mancha e sem mácula! Foi oferecido segundo a vontade de Deus, portanto o sacrifício de Cristo subiu como cheiro suave às narinas do Pai “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” ( Ef 5:2 ).

Ao citar o verso primeiro do salmo 22, Cristo despertou entre os que assistiam a crucificação, a curiosidade de aprenderem porque Ele foi descrito pelos profetas como verme e opróbrio da humanidade. Quando questionassem o fato de Ele ter dito em aramaico aqueles palavras, veriam que Ele citava as Escrituras. Quando consultassem as Escrituras, veriam que o salmo cumpriu-se cabalmente naquele evento cruento. Deste modo Cristo glorificou o Pai "Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer" ( Jo 17:4 ).

 

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