Estudos Biblicos

Isaías 40 – Eis aqui o vosso Deus!

postador por: Claudio F. Crispim
21 Dez 2016
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Quando João Batista anunciava que era necessária uma mudança de concepção, por causa da chegada do reino dos céus, vieram gentes de Jerusalém, da Judéia e de todas as regiões circunvizinhas, quando eram batizadas (Mt 3:5). Diante de uma mensagem que propunha que, ambos, torto e áspero, seriam endireitados e aplainados, vinham ao batismo muitas pessoas que residiam nas regiões vizinhas ao rio Jordão (Lc 3:3).


O capítulo 40 do Livro de Isaías aborda alguns aspectos da vida e do ministério de Cristo, o que demanda uma leitura com atenção redobrada. Ademais, no Novo Testamento, temos alguns versos desse capítulo citados por Cristo e pelos apóstolos, que nos orientam a obter uma boa interpretação.

 

1 CONSOLAI, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2  Falai benignamente a Jerusalém e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu, em dobro, da mão do SENHOR, por todos os seus pecados.

Através da mensagem: - ‘Consolai, consolai o meu povo’, Deus está anunciando, ao povo de Israel, a restauração futura do reino. Mas, como ‘consolar’ o povo de Israel? Qual é a mensagem benigna a Jerusalém?

A resposta é objetiva: o tempo das batalhas (milícias) é findo e a iniquidade expiada, pois a nação de Israel já recebeu de Deus a devida retribuição pelas suas transgressões (v. 2).

O tempo do consolo de Israel foi predito pelo profeta Daniel e se dará ao final da última semana de anos. O consolo de Israel se dará em um tempo que está fixado (para castigo) sobre Israel: as setenta semanas de Daniel.

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão e para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santíssimo” (Dn 9:24).

A mensagem de consolo a Israel se concretizará com a segunda vinda do Messias, em glória, para se assentar sobre o trono de Davi, quando regerá todas as nações e reinos da terra, desde o seu santo monte Sião, com vara de ferro.

"E deu à luz um filho homem, que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono" (Ap 12:5; Sl 2:9).

Essa é a descrição do Cristo glorioso:

“Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado e elevado, e mui sublime. Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura, mais do que a dos outros filhos dos homens. Assim, borrifará muitas nações e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado, verão, e aquilo que eles não ouviram, entenderão” (Is 52:13-15; Is 49:7).

Da mesma forma que os homens ficaram pasmos ao verem a ignomínia do Cristo, também, ficarão pasmos, ante a glória de Cristo, quando Ele se manifestar, na sua volta.

O povo de Israel receberá a devida medida de retribuição, por causa dos seus pecados, segundo a ira de Deus, no final do período da grande tribulação.

“O grande dia do SENHOR está perto, sim, está perto e se apressa muito; amarga é a voz do dia do SENHOR; clamará ali o poderoso. Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR;  o seu sangue se derramará como pó e a sua carne será como esterco” (Sf 1:14-17)

O anúncio dos versos 1 e 2, são posteriores ao cumprimento da profecia de Jesus, em que os filhos de Israel  receberão, ‘em dobro’, a retribuição de Deus por seus pecados:

"Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que, nos campos, não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Mas ai das grávidas e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem" (Lc 21:20-24; Is 63:4).

 

3  Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. 4 Todo o vale será exaltado e todo o monte e todo o outeiro será abatido; o que é torcido se endireitará e o que é áspero se aplainará. 5  E a glória do SENHOR se manifestará e toda a carne, juntamente, a verá, pois a boca do SENHOR o disse.

Através do evangelista Mateus, somos informados que a ‘voz que clama no deserto’ refere-se à pessoa de João Batista, primo de Jesus, que teve a missão de preparar o coração dos filhos de Israel para o primeiro advento do Senhor Jesus.

"E, NAQUELES dias, apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judéia,  dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" (Mt 3:2-3; Mc 1:1-3; Jo 1:23; Lc 3:2-6).

Sobre João Batista, também, profetizou o profeta Malaquias:

"Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição" (Ml 4:5-6).

Jesus afirmou, categoricamente, que João Batista era o ‘Elias’ que havia de vir:

"E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir" (Mt 11:14).

João Batista não era encarnação de Elias. Quando predito pelo profeta Malaquias, que o profeta Elias seria enviado, a profecia referia-se a João Batista que viria com a mesma missão de Elias: converter os corações, conclamando os rebeldes à prudência.

"E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto" (Lc 1:17).

Como João Batista haveria de preparar o caminho do Senhor e endireitar no ermo um caminho a Cristo? Trazendo uma mensagem de mudança de concepção, de entendimento, ou seja, uma mensagem de arrependimento (metanoia).

A mensagem de João Batista não teria por alvo uma nação especifica, favorecendo judeus, em detrimento dos gentios, ou seja, os vales seriam elevados e os outeiros seriam abatidos. A mensagem de João Batista não faria distinção alguma entre povos e nações, judeus e gentios, pois, diante de Deus, todos estão em igual condição.

Quando João Batista anunciava que era necessária uma mudança de concepção, por causa da chegada do reino dos céus, vieram gentes de Jerusalém, da Judéia e de todas as regiões circunvizinhas, quando eram batizadas (Mt 3:5). Diante de uma mensagem que propunha que, ambos, torto e áspero, seriam endireitados e aplainados, vinham ao batismo muitas pessoas que residiam nas regiões vizinhas ao rio Jordão (Lc 3:3).

 

6  Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza, como a flor do campo. 7 Seca-se a erva e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva. 8  Seca-se a erva e cai a flor, porém, a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.

Há uma ordem expressa, que determina o anúncio de uma mensagem. Daí, o questionamento: Que hei de clamar? A mensagem é especifica: toda carne é erva! Quando diz que toda carne é erva, não há exceção, de modo que a mensagem nivela, tanto judeus, quanto gentios.

Tanto judeus, quanto gentios, são fugazes, passageiros, de modo que são comparáveis às flores dos campos. O verso 6 apresenta uma verdade, através de uma figura, já, os versos 7 e 8, contém a explicação da figura: os povos são ervas, de modo que, estão sujeitos a secarem e a caírem, o que contrasta com a eternidade da palavra de Deus e os que dela são gerados.

"Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo, assim, floresce" (Sl 103:15);

“O HOMEM, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação. Sai como a flor e murcha; foge, também, como a sombra, e não permanece” (Jó 14:1-2).

Pelo fato de toda carne ser corruptível, assim, como a flor da erva, há a necessidade de todos os homens nascerem de novo da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, pois, só os de novo nascidos, permanecem para sempre (1 Jo 2:17). O apóstolo Pedro destaca que a palavra que permanece para sempre, diz da mensagem do evangelho, quando cita o profeta Isaías, na sua epístola (1 Pe 1:25).

O ensinamento de que toda carne é como a flor da erva, fica bem ilustrada na abordagem que Jesus fez a Nicodemos, que era judeu, juiz, mestre, príncipe, fariseu, etc., por ter sido gerado segundo a carne, estava impedido de entrar no reino dos céus, portanto, como qualquer homem, Nicodemos também precisava nascer de novo.

A mensagem que o profeta Isaias deixou registrada, estampa a necessidade de uma mudança radical dos conceitos e do entendimento que os filhos de Israel detinham, acerca das coisas de Deus.

A mensagem é inclusiva: toda carne! O Salmo 53 trás essa mesma perspectiva: Deus olhou dos céus para os filhos dos homens, para identificar se alguém buscava a Deus, entretanto, todos se desviaram e, juntamente, se tornaram imundos, inclusive os judeus (Sl 53:2-3; Sl 14:2-3; Jr 10:8; Jr 9:5).

Na verdade, o Salmo 53 aponta para os filhos de Israel, conforme o apóstolo Paulo deu a interpretação do Salmo 53, ao escrever aos cristãos de Roma, ao demonstrar que judeus não são melhores que gentios:

“Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus” (Rm 3:9-11).

Se houver dúvidas, basta ler o que disse o profeta Isaias, acerca de Israel:

“Eu sou o que primeiro direi a Sião: Eis que ali estão; e a Jerusalém darei um anunciador de boas novas. E quando olhei, não havia ninguém; nem mesmo entre estes, conselheiro algum havia a quem perguntasse ou que me respondesse palavra.Eis que todos são vaidade; as suas obras não são coisa alguma; as suas imagens de fundição são vento e confusão” (Is 41:27-29).

O alerta do profeta Jeremias vem a calhar: Maldito o homem que faz da sua carne o seu braço, ou seja, que faz da sua descendência a sua força, a sua salvação (Jr 17:5; Fl 3:3). Diante de Deus, toda carne é, igualmente, como a flor do campo, de modo que, também, é necessário aos descendentes da carne e do sangue de Abraão nascerem do Espírito (Jo 3:6).

 

9  Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz, fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus.

A mensagem a ser proclamada pelos moradores de Sião deveria ter um alcance amplo, para tanto, era necessário subir a um alto monte e anunciar em alta voz. Pergunta-se: o que deveria ser anunciado, sem receio, às cidades de Judá?

Responde-se: - Eis aqui está o vosso Deus!

O Verbo eterno veio ao mundo, portanto, em Jerusalém, deveria ser anunciada, abertamente, a seguinte mensagem: - “Este é o nosso Deus”! João Batista, assim, o fez, ao dizer:

- “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1:29).

A Luz verdadeira que, sem exceção, ilumina a todos os homens (judeus e gentios) estava no mundo, o mundo foi feito por meio dele e não O reconheceram (Jo 1:9-10).

Por causa da rejeição à mensagem: - ‘Eis aqui o vosso Deus’, cumpriu-se a profecia, que diz:

"Por que razão vim eu e ninguém apareceu? Chamei e ninguém respondeu?" (Is 50:2).

O verso 10 trata do primeiro advento de Jesus, que veio na condição de servo do Senhor:

"EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; e ele trará justiça aos gentios" (Is 42:1; Is 11:1; Is 61:1; Is 42:1 e 7).

Jesus chorou sobre Jerusalém, ao ver a consequência da rejeição dos seus concidadãos:

“E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te estreitarão de todos os lados; E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que, dentro de ti estiverem, não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que, não conhecestes o tempo da tua visitação” (Lc 19:41-44).

Jesus se apresentou como servo, para fazer a vontade do Senhor:

“Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Sl 40:7-8).

Como os seus concidadãos não O receberam, Jesus se apresentou com os seus discípulos:

"Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR, por sinais e por maravilhas, em Israel, da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte de Sião" (Is 8:18).

Em seguida, Cristo apresentou-se aos gentios, dizendo: - “Eis-me aqui”!

“FUI buscado pelos que não perguntavam por mim, fui achado por aqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava pelo meu nome, eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui (Is 65:1).

O ‘aqui’ refere-se ao espaço/tempo no mundo dos homens, quando se inaugurou o tempo aceitável (Is 62:2). Cristo foi gerado no dia que se chama ‘hoje’, e o ‘hoje’ tornou-se o dia sobremodo oportuno, o tempo aceitável (Sm 2:7; Sl 95:7; 2Co 6:2).

O profeta Malaquias resume os versos 1 ao 10, do capítulo 40 de Isaias, com a seguinte profecia:

“EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 3:1).

O mensageiro que o Verbo eterno enviaria diz de João Batista, que tinha a missão de preparar o caminho d’Ele, quando viesse ao mundo. Quando o mensageiro estivesse preparando o caminho, repentinamente, o Senhor Deus encarnado viria ao Seu Templo, Aquele a quem os judeus ‘buscavam’.

O profeta anuncia que o próprio Senhor seria o mensageiro da Aliança. Ora, se Moisés foi o mensageiro da Antiga Aliança, isto mostra que Deus, por muitas vezes, falou ao pais, pelos profetas, e que agora falou pelo Seu Filho, o Senhor Jesus e estabeleceu uma Nova Aliança (Hb 1:1; Hb 8:13).

 

10  Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele e o seu salário diante da sua face.

Como os filhos de Israel rejeitaram a Cristo, visto que não o santificaram como o Senhor dos Exércitos, em seus corações (Is 8:13; 1 Pe 3:14-15), o verso 10 aponta para o segundo advento de Cristo, quando Ele virá com poder e grande glória.

“E quando o Filho do homem vier em sua glória e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mt 25:31-32).

Cristo é o braço do Senhor que, no primeiro advento, foi desnudado perante todos os povos, para que se cumprisse a promessa a Abraão (Gn 12:3; Is 52:10) e, no segundo advento, exercerá domínio sobre a face da terra,  por amor a Abraão, Isaque e Jacó.

"Eis que o SENHOR fez ouvir até as extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação; eis que, com ele, vem o seu galardão, e a sua obra diante dele" (Is 62:11);

"E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra" (Ap 22:12).

O profeta Malaquias resume os dois adventos de Cristo, em uma única profecia:

“EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas, quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fog



o do ourives
e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-se-á como fundidor e purificador de pratapurificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça”
(Ml 3:1-3).

O primeiro advento aponta para Cristo, como o Servo do Senhor, o mensageiro da Nova Aliança, quando, repentinamente, Jesus adentrou o templo. Já, com relação ao segundo advento, Cristo virá em sua glória, como fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros, pois poucos suportarão a sua vinda, quando Ele se assentar como juiz (fundidor e purificador da prata).

Por isso, é dito que Cristo batiza com Espírito Santo e com fogo:

"Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas, eis que vem aquele, que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Lc 3:16).

O batismo com Espírito santo se deu no primeiro advento e o batismo com fogo, se dará na sua segunda vinda, quando Cristo purificará os filhos de Israel.

“Naquele dia, o renovo do SENHOR será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra, excelente e formoso, para os que escaparem de Israel. E será que, aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os viventes, em Jerusalém; Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião e limpar o sangue de Jerusalém, do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor (Is 4:2-4).

 

11 Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam, guiará suavemente.

Na segunda vinda, Cristo há de apascentar o seu rebanho, ou seja, os remanescentes de Israel, juntamente, com as nações selecionadas, para entrarem no seu reino. É Cristo quem selecionará as nações que adentrarão ao seu reino, como se lê:

“E todas as nações serão reunidas diante dele e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.Então, dirá o Rei, aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo” (Mt 25:32-34; Zc 9:16).

A promessa de Deus para Israel é esta:

"Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, anunciai-a nas ilhas longínquas e dizei: Aquele que espalhou a Israel, o congregará e o guardará, como o pastor ao seu rebanho" (Jr 31:10; Ez 34:12);

"E eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado e as farei voltar aos seus apriscos; frutificarão e se multiplicarão" (Jr 23:3).

Por causa dos líderes de Israel, que fizeram o povo se desviar, visto que buscavam alianças com os povos vizinhos (montes e outeiros), e se esqueceram de que em Deus está o livramento de Israel, os filhos de Israel foram dispersos. Das nações vizinhas (montes) jamais virá o socorro, pois o socorro de Israel pertence ao Senhor que fez os céus e a terra (Sl 121:2).

"Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso" (Jr 50:6).

“Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; o primeiro a devorá-lo foi o rei da Assíria; e, por último, Nabucodonosor, rei de Babilônia, lhe quebrou os ossos” (Jr 50:17).

Quando veio, Jesus foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, porém, elas não se deixaram ajuntar: "E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado, senão, às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 15:24).

Como os filhos de Israel não se deixaram ajuntar, Cristo se deu a conhecer aos gentios; um povo que não o procurava, O encontrou: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também, me convém agregar a estas e elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um Pastor" (Jo 10:16; Is 65:1).

 

12  Quem mediu, na concha da sua mão, as águas e tomou a medida dos céus, aos palmos, e recolheu, numa medida, o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças? 13  Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou?14 Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, lhe ensinasse conhecimento e lhe mostrasse o caminho do entendimento?

É necessário perspicácia para responder as perguntas dos versos 12 e 13.

Os versos apontam para alguém grande, o bastante, para mensurar as águas, utilizando a concha de sua mão, medir a extensão dos céus a palmos, reunir todo o pó da terra num só recipiente e saber a medida dos montes e outeiros, em balanças.

Essa pessoa é o Cristo, pois, segundo o escritor aos Hebreus, o Salmo 102 refere-se à pessoa do Filho bendito:

“Desde a antiguidade, fundaste a terra e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão, como um vestido; como roupa os mudarás e ficarão mudados. Porém, tu és o mesmo e os teus anos nunca terão fim” (Sl 102:25 -27; Hb1:10-12).

O profeta Isaias não estava apontando para o Onipotente, mas, sim, para o Senhor que está à Sua direita, o Filho de Deus, que desceu e subiu aos céus:

“DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110:1; Lc20:44).

“Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” (Pr 30:4; Jo 3:13).

Cristo, em meio aos homens, tomou conselho com o Pai e, por isso mesmo, Ele disse: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim” (Is 61:1; Is 11:1; Is 42:1 e 7).

O Salmo 16 demonstra que, até de noite, o Filho era instruído pelo Pai, de modo que o Pai era o seu auxilio (mão direita) e, quando ascendeu aos céus, assentou-se à destra (à mão direita) da Majestade, nas alturas.

“Louvarei ao SENHOR, que me aconselhou; até os meus rins me ensinam de noite.Tenho posto o SENHOR, continuamente, diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto, está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também, a minha carne repousará segura. Pois, não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias, perpetuamente” (Sl 16:7-11).

 

15  Eis que as nações são consideradas, por Ele, como a gota de um balde e como o pó miúdo das balanças; eis que Ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. 16 Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. 17  Todas as nações são como nada perante Ele; Ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã.

O escritor aos Hebreus lembra aos cristãos que eles ainda não viam o Cristo do modo que era devido: comotodas as coisas pertencentes a Ele (Hb 2:8-10).

Pela grandeza de Cristo, as nações são como uma gota de água em um balde, ou como o pó insignificante que é desconsiderado sobre o prato da balança. Mesmo as nações estrangeiras (Ilhas) são ínfimas diante d’Ele.

Por que as nações são tidas como coisa vã? Porque, soprando o seu hálito, as nações (montes e outeiros) são feitas em deserto, de modo que todos os homens definham (Is 40:24).

“Por muito tempo me calei; estive em silêncio e me contive; mas, agora, darei gritos como a que está de parto e a todos assolarei e, juntamente, os devorarei. Os montes e outeiros tornarei em deserto e toda a sua erva farei secar, tornarei os rios em ilhas e as lagoas secarei” (Is 42:14-15);

"Mas, julgará com justiça aos pobres, repreenderá com equidade aos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio" (Is 11:4).

 

18 A quem, pois, fareis semelhante a Deus ou, com que o comparareis? 19  O artífice funde a imagem e o ourives a cobre de ouro e forja para ela cadeias de prata. 20  O empobrecido, que não pode oferecer tanto, escolhe madeira que não se apodrece; o artífice sábio busca, para gravar, uma imagem que não se pode mover.

O artífice, com toda a sua habilidade, jamais poderá conceber uma imagem que se compare à grandeza de Deus. Mesmo o resultado do trabalho conjunto de um artífice e de um ourives sequer pode ser comparado a Cristo.

“Um ao outro ajudou e ao seu irmão disse: Esforça-te. O artífice animou ao ourives e o que alisa com o martelo ao que bate na bigorna, dizendo da coisa soldada: Boa é. Então, com pregos a firma, para que não venha a mover-se” (Is 41:6-7).

Ao ressurgir dentre os mortos, Jesus ascendeu ao Pai, na condição de expressa imagem do Deus invisível, a imagem e semelhança que Deus mencionou, no Livro do Gênesis, que concederia ao homem.

"O qual, sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade, nas alturas" (Hb 1:3).

Aos homens é impossível fazer algo semelhante a Deus, mas a Deus tudo é possível, visto que ao ascender ao Pai, Cristo conduziu muitos filhos a Deus, semelhantes a Ele, para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos (Hb2:10; Rm 8:29; 1 Jo 3:2).Deus pode e faz, em Cristo, homens semelhantes a Ele!

 

21  Porventura, não sabeis? Porventura, não ouvis ou, desde o princípio, não se vos notificou ou, não atentastes para os fundamentos da terra? 22 Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é Ele o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda, para neles habitar; 23  O que reduz a nada os príncipes e torna em coisa vã os juízes da terra. 24 E mal se tem plantado, mal se tem semeado e mal se tem arraigado na terra o seu tronco, já se secam, quando ele sopra sobre eles,  um tufão os leva como a pragana (palha).

Os filhos de Israel ignoraram o Verbo que se fez carne pois, quando Ele resplandeceu em meio às trevas, não compreenderam a sua doutrina. O Verbo eterno é quem tudo criou e domina acima de todos, mas os filhos de Israel estavam como quem não sabia, ou como quem não aprendeu.

“No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele, nada do que foi feito, se fez (Jo 1:1-3).

Cristo está assentado à destra de Deus e Ele estendeu os céus como cortina e há de enrolar os céus como um manto:

“E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão mas, tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão e como um manto os enrolarás e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” (Hb 1:10-12).

 

25  A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo. 26  Levantai ao alto os vossos olhos e vede quem criou estas coisas; foi aquele que faz sair o exército delas, segundo o seu número; ele as chama a todas pelos seus nomes; por causa da grandeza das suas forças e, porquanto, é forte em poder, nenhuma delas faltará.

O Salmista aponta quem criou todas as coisas:

“Pois, quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem, entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR? Deus é muito formidável na assembleia dos santos, para ser reverenciado por todos os que o cercam. Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, SENHOR, com a tua fidelidade, ao redor de ti? Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar. Tu quebraste a Raabe, como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte. Teus são os céus e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude, Tu os fundaste” (Sl 89:6-11).

O Criador de todas as coisas é o Primogênito de Deus que, no mundo dos homens, invocou a Deus por Pai, sendo obediente até a morte e, por isso, o Pai o engrandeceu soberanamente, dando-lhe um nome, que está acima de todos os nomes, e foi feito o mais elevado dos reis da terra.

"E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz" (Fl 2:8; Sl 89:26-27).

O rei Davi era o oitavo filho de Jessé, portanto, não poderia ser o primogênito de Deus, conforme consta dos Salmos: o mais elevado dos reis da terra (Sl 89:27).

 

27  Por que dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao SENHOR e o meu juízo passa despercebido ao meu Deus? 28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento. 29 Dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. 30  Os jovens se cansarão e se fatigarão e os moços, certamente, cairão; 31  Mas, os que esperam no SENHOR, renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.

As duas casas de Israel reclamam da sorte, como se a culpa pelas mazelas da nação estivesse em Deus. Adotavam ritos, sacrifícios, ascetismos, etc., segundo mandamentos de homens e reclamavam que Deus não os atendia:

"Dizendo: Por que jejuamos nós e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais, achais o vosso próprio contentamento e requereis todo o vosso trabalho" (Is 58:3).

Acusar Deus de desconhecer algum caminho ou, que não considera a justiça de alguém, é o mesmo que ignorar que Deus jamais dormita, a ponto de algo escapar à sua onisciência. O questionamento deles era de quem não soubesse ou nunca fora ensinado que o Criador não se cansa e nem se fatiga.

A queixa dos filhos de Israel decorre dos seus próprios pecados:

"De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados" (Lm 3:39);

"Quem entregou a Jacó por despojo e a Israel aos roubadores? Porventura, não foi o SENHOR, aquele contra quem pecamos e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei?" (Is 42:24).

O profeta Isaias informa que Deus socorre aos cansados, ou seja, aos que não têm vigor algum. Os que possuem forças (jovens e moços) e que confiam em si mesmos, se cansarão e, certamente, cairão.  Dai a instrução: os que esperam no Senhor renovarão as forças com velocidade semelhante à da águia, de modo que podem correr sem se cansar e caminhar sem se fatigar.

"OS que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre" (Sl 125:1).

Ora, só permanece para sempre aquele que crê em Cristo, conforme a palavra do evangelho, anunciada por Cristo e pelos apóstolos.

"Sendo de novo gerados, não de semente corruptível mas, da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre" (1 Pe 1:23);

"Mas, a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada" (1 Pe 1:25);

"O mundo passa e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre" (1 Jo 2:17);

Comparando os versos 29 e 31:

"Dá força ao cansado  e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor" (Is 40:29);

“Mas, os que esperam no SENHOR, renovarão as forças, subirão com asas como águias” (Is 40:31).

Teremos a seguinte conclusão: os cansados ou, os que não têm vigor algum, são os que esperam (confiam) no Senhor. É por isso que Cristo anunciou:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei" (Mt 11:28).

Se os filhos de Israel compreendessem a profecia, saberiam que Cristo se apresentou como Deus, quando convidou os cansados e oprimidos de Israel a se achegarem a Ele: - “Eis me aqui...”.

"E há de ser que, todo aquele que invocar o nome do SENHOR, será salvo; porque, no monte Sião e, em Jerusalém, haverá livramento, assim como disse o SENHOR e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar" (Jl 2:32).

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


postador por: Claudio F. Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, desde 2004 exerce a função de Tenente da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudobiblico.org), com mais de 200 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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