Estudos Biblicos

Tomar café e chá é pecado?

postador por: Claudio F. Crispim
03 Jul 2016
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O que está no coração é o que contamina o homem, de modo que é preciso ter cuidado com o que sai do homem (mandamentos de homens), pois isso é o que contamina, pois do interior do coração dos homens procede maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura, uma gama de males que procedem de dentro e que contaminam o homem.

"MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças" (1Tm 4:13)

 

Introdução

À época dos apóstolos, algumas pessoas saíram da Judéia e ensinavam os cristãos que, se não se circuncidassem, conforme o uso de Moisés, que não seriam salvos. Em função dessa questão levantada pelos judaizantes, o apóstolo Paulo e Barnabé contenderam contra eles e, por fim, subiu a Jerusalém para consultar os apóstolos (At 15:1-2).

Em Jerusalém, o apóstolo Paulo foi recebido pelos apóstolos e anciãos, porém, deparou-se com alguns fariseus que diziam ter se convertido ao evangelho, mas que anunciavam que era indispensável os gentios se circuncidarem e guardarem a lei de Moisés (At 15:5).

A questão da circuncisão e imposição dos ritos da lei aos gentios, pelos judaizantes, fez com que fosse realizado um concílio em Jerusalém, onde ficou estabelecido que não impusessem encargos da lei aos gentios que se convertessem ao evangelho de Cristo (At 15:10).

Do concilio foi enviada a seguinte carta às igrejas:

“E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, Síria e Cilícia, saúde. Porquanto, ouvimos que alguns que saíram dentre nós, vos perturbaram com palavras e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento, pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas. Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá” (At 15:23-29).

Através desse evento, constata-se que, à época dos apóstolos, os cristãos já eram constantemente importunados por pseudocrístãos, que queriam introduzir outro evangelho, segundo suas próprias conjecturas (Gl 1:7) e uma das tendências deles era proibir alguns alimentos, como entrave para se obter a salvação em Cristo.

 

Alerta de Cristo

Certa feita os fariseus, seita mais severa do judaísmo (At 26:5), juntamente com alguns escribas, observaram que os discípulos comiam pão sem lavar as mãos e foram questionar Jesus sobre o motivo pelo qual os discípulos não guardavam a tradição dos anciãos.

“Depois, perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por lavar?” (Mc 7:5)

Diante do questionamento dos religiosos, Jesus lembrou o que foi dito pelo profeta Isaias, que profetizou: “Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Mc 7:6 -7).

Jesus enfatiza que eles deixavam de cumprir o que Deus ordenou para dedicarem-se a cumprir ordenanças de homens, como lavar jarros e copos (Mc 7:8). Invalidavam o mandamento de Deus para seguirem as tradições (Mt 7:9).

Em seguida Jesus chamou a multidão e disse:

“Ouvi-me vós, todos e compreendei. Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem” (Mt 7:14-15).

Os discípulos, em particular, questionaram Jesus acerca da parábola que foi dita à multidão e Ele lhes esclareceu, dizendo:

“Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não entra no seu coração, mas no ventre e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?” (Mt 7:18-19).

Não há exceção: tudo o que de fora (alimentos lavados ou não) entra no homem não o pode contaminar, pois vai para o ventre e depois é excretado!

O que está no coração é o que contamina o homem, de modo que é preciso ter cuidado com o que sai do homem (mandamentos de homens), pois isso é o que contamina, pois do interior do coração dos homens procede maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura, uma gama de males que procedem de dentro e que contaminam o homem.

Se tudo o que está fora e entra no homem não o pode contaminar, mesmo com a mão por lavar, o café, ou o chá preto, ou a Coca-Cola, etc., teriam propriedades que contaminam o homem? Ao dizer que tudo o que está fora do homem não pode contaminá-lo, Jesus se esqueceu da cafeína?

 

As considerações paulinas

Ao escrever aos cristãos em Corintos, o apóstolo Paulo fez as seguintes observações:

"Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, senão para o SENHOR e o SENHOR para o corpo" (1 Co 6:13);

"Ora, a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta" (1 Co 8:8).

Antes de orientar os cristãos a não se deixarem levar pela prostituição, o apóstolo Paulo faz uma observação: todas as coisas são licitas, mas nem todas são convenientes aos cristãos e dentre todas as coisas licitas, o cristão não deve se deixar dominar por nenhuma delas (1 Co 6:12).

O cristão deve ser cônscio de que os alimentos são para o estômago e vice versa, porém, o corpo não é para a prostituição mas, para o Senhor.  Como os alimentos foram criados para o estômago e o estômago para os alimentos, uma coisa é certa: a comida não faz o homem aceitável diante de Deus, de modo que, se alguém comer determinado tipo ou grupo de alimento, nada tem de mais, ou se se abstém de comer certos tipos de alimentos, de nada tem falta (1 Co 8:8).

A única coisa que faz o homem aceitável diante de Deus, é estar edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas: Jesus Cristo, a pedra angular, a santíssima fé (Ef 2:20; Jd 1:20). Ora, Cristo é a fé que faz o homem agradável a Deus, o firme fundamento (Hb 11:1 e 6).

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2:20);

“Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo” (Jd 1:20).

De modo que o reino de Deus não tem por base comida ou bebida, ou seja, ninguém vai a Deus ou está alienado de Deus por questões gastronômicas, sejam elas quais quer que sejam: "Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rm 14:17).

Dai a advertência:

"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer ou, pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados" (Cl 2:16).

O crente em Cristo não deve se deixar julgar pelo que come ou pelo que bebe, pois João Batista não comia e nem bebia e diziam que ele tinha demônio e Jesus veio comendo e bebendo e disseram que ele era comilão e beberão: "Porquanto veio João, não comendo nem bebendo e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos" (Mt 11:18-19).

O apóstolo Paulo deixa claro que o crente pode comer de tudo o que se vende no açougue e deve adquirir os produtos que são vendidos sem perguntar nada: "Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência" (1 Co 10:25).

Há duas ressalvas para tudo o que o crente fizer, até mesmo para uma compra no mercado ou no açougue: o cristão nada deve fazer por contenda ou por vanglória. A tônica do crente é a humildade, ou seja, a obediência a Deus: considere os outros superiores a si mesmo. O crente pode comprar de tudo que vende no açougue, mas nada deve comprar se for para contender ou, para se vangloriar: "Nada façais por contenda ou, por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo" (Fl 2:3).

O crente pode comer carne de porco, mas se o seu convidado for um cristão judeu, que não coma carne de porco, para não fazê-lo escandalizar. Tal decisão não é porque a carne de porco contenha substâncias que fazem o homem desagradável a Deus, mas por causa da consciência, do que irá participar com o cristão à mesa: "Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça" (Rm 14:21).

De igual modo, se quiser atender a um convite de um não crente, o crente em Cristo deve comer de tudo que alguém lhe oferecer, sem perguntar nada acerca do alimento: "E, se algum dos infiéis vos convidar e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem nada perguntar, por causa da consciência" (1 Co 10:27), pois mesmo que o alimento tenha sido oferecido aos ídolos, certo é que nada são os ídolos (1 Co 8:4).

 

Beber ou não beber alimentos que contenham cafeína?

"MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças" (1 Tm 4:13)

 

O apóstolo e evangelista João alertou os cristãos que já era a última hora, pois muitos anticristos haviam surgido no mundo (1 Jo 2:18). Ele se referiu a algumas pessoas que estiveram em meio ao ajuntamento solene dos cristãos e foram embora, pois negavam que Jesus é o Cristo (1 Jo 2:22).

Há várias formas de negar que Jesus é o Cristo e uma delas é dizer que Ele não veio em carne (1 Jo 4:3). Outra forma é negar que Jesus é o Filho de Deus, portanto, Filho de Davi (1 Jo 5:1 e 5; Mt 22:41-45). Outra forma de negar Jesus, é afirmar que Ele era um dos profetas ou um anjo (Mt 16:14; Hb 2:16).

Mas, há outra forma mais sutil de negar a Cristo: negando a eficácia da sua obra! Essa forma de negar a Cristo é a mais perniciosa, pois os enganadores se apresentam com aparência de seguidores do evangelho (piedade), mas negam a eficácia do evangelho, quando proíbem o casamento ou a abstinência de alimentos, como condição para ser salvo.

"Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes, afasta-te" (2 Tm 3:5).

Cristo salva perfeitamente, ou seja, sem obstes algum a qualquer que, por Ele, se achega a Deus: "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hb 7:25); “De outra maneira, necessário lhe fora padecer, muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado, pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9:26); “Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou, para sempre, os que são santificados” (Hb 10:14).

A observação do apóstolo Paulo é para os últimos dias, pois muitos cristãos se apostatariam do evangelho (fé) por dar ouvidos a mensagens de engano (espíritos enganadores) e doutrinas de demônios. E como se dariam essas mensagens e doutrinas? Através de homens hipócritas, que falam mentiras em nome de Deus e utilizam questões como casamento e alimentação para usarem como ação de graças.

O apóstolo Paulo esclarece que toda criatura, sem exceção, é boa, portanto não há nada que rejeitar. Tal criatura, não é recebida por Deus, porque casou ou deixou de casar, ou porque come determinados alimentos ou, deixa de comer. Toda criatura é recebida com ações de graças, pois todos são santificados pela palavra de Deus, por estarem unidos a Ele.

“Porque toda a criatura de Deus é boa e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque, pela palavra de Deus e pela oração[1] é santificada” (1 Tm 4:4-5).

Doutrinas que tem por base questões como casamento, comida, bebida, etc., são tidas por estranhas à verdade do evangelho, pois o coração se fortifica com a graça manifesta em Cristo e não com alimentos, ou abstenção de alimentos "Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com alimentos, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram" (Hb 13:9).

O crente deve ter cuidado para não ser feito prisioneiro de pessoas que se utilizam de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens ou, segundo princípios do mundo. O julgamento acerca do que comer ou do que beber, à época



da Antiga Aliança, eram sombras dos bens futuros, ou seja, da Nova Aliança: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2:8).

Ninguém deve se sujeitar ao bel-prazer, de qualquer que queira exercer domínio, a pretexto de humildade e de reverência aos profetas da Antiga Aliança (anjos), pois, geralmente, essas pessoas são soberbas e seguem uma compreensão carnal (Cl 2:18).

Considerando que, ao unir-se a Cristo pela ressurreição dentre os mortos (Cl 3:1), o cristão está morto para os princípios do mundo; jamais o crente deve sujeitar-se a sobrecarregar-se de ordenanças, como se ainda vivesse no mundo. Ordenanças como ‘não toques, não proves ou, não manuseies’, decorre de preceitos e doutrinas dos homens e tudo o que propõe perece pelo uso (Cl 2:20-22).

Nada que o homem apresente com aparência de sabedoria, devoção, humildade ou disciplina do corpo, possui valor diante de Deus, antes, satisfaz somente à carne. Lembrando que o Espírito e a carne referem-se a senhores antagônicos, que buscam exercer senhorio sobre os homens, de modo que, ambos se opõem um ao outro, para que o homem não faça o que deseja (Gl 5:17).

Ora, aqueles que são de Cristo já crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências, de modo que não deve se sujeitar mais a ordenanças decorrentes dos rudimentos deste mundo, tal como não toques, não manuseies, não proves[2], pois, ordenanças como estas tem por alvo a satisfação da carne e não do Espírito (Rm 8:7).

O crente serve a Deus em novidade de espírito e não segundo a velhice da letra (Rm 7:6). A justiça da lei já se cumpriu em quem serve a Deus em espírito, ou seja, segundo o evangelho (Rm 8:4), de modo que o crente não é devedor da carne para andar segundo a carne, ou seja, através de mandamentos e ordenanças segundo a Antiga Aliança, ou segundo os mandamentos de homens que são segundo os rudimentos do mundo (Rm 8:12).

Isso significa que o crente pode tomar café, ou qualquer produto, que se vende no mercado que, na sua composição, contenha cafeína. A cafeína não contamina o homem, pois está fora do corpo e, quando é ingerida, vai para o estômago e é lançada fora (Mt 7:18-19). A composição da cafeína não contamina o coração, pois a cafeína é alimento feito para o estômago e o estômago para a cafeína (1 Co 6:13).

Beber café não faz o homem aceitável diante de Deus e abster-se do café, também, não (1 Co 8:8). As questões que envolvem o reino de Deus não têm por base comida e nem bebida (Rm 14:17).

O enfermo na fé possui muitas dúvidas e geralmente são acerca de questões de vestimentas, alimentos, hábitos, comportamentos, costumes, etc., mas é dever dos firmes em Cristo recebê-los. Alguns creem que podem comer de tudo, mas quem ainda é fraco, come legumes, porém, como membros do corpo de Cristo, quem come de tudo não deve desprezar quem come só legumes, e quem come só legumes não deve desprezar quem come de tudo (Rm 14:1-3).

Quem come, para o Senhor come, e quem não come, para o Senhor não come, pois ambos dão graças a Deus (Rm 14:6), certos de que quem vive não vive para si e  quem morre não morre para si (Rm 14:7), pois se somos conservados em vida, para o Senhor vivemos e, se morremos, para o Senhor morremos (Rm 14:6-8).

O apóstolo Paulo é bem claro quanto ao posicionamento do crente, frente às questões alimentares:

“Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida, aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo, agradável é a Deus e aceito aos homens. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas, por causa da comida, a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rm 14:13-22).

O apóstolo Paulo tinha plena convicção, em Cristo Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para quem considera que tal coisa é imunda (Rm 14:14). Na verdade, tudo é limpo, ou seja, não contamina o homem se ingerir, tocar, provar ou manusear (Rm 14:20).

Ora, o crente em Cristo deve acolher o fraco na fé, ou seja, quem está com dúvidas acerca de algumas questões, mas quando se trata de um enganador, um dos muitos que entraram no mundo, que dizem que Jesus não veio em carne (2 Jo 1:7), ou, que negam a eficácia de sua obra, dizendo que é necessário circuncidar, ou que ordenem a guardar a lei de Moisés (At 15:1 e 5), ou que proíbam o casamento ou, alimentos como condição para ser salvo, o apóstolo João ordenou que os que creem em Cristo não tenham comunhão com eles.

“Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 Jo 1:10 -11).  

Qualquer que está em Cristo é puro tal qual Ele é (1 Jo 4:17), de modo que nada há que seja impuro para os que estão em Cristo. Mas, para os ímpios e infiéis, nada é puro, pois o entendimento e a consciência deles estão contaminados. O problema não está no alimento, mas, sim, na consciência, no entendimento corrompido, que não é segundo o evangelho. Beber café, chá, Coca-Cola, ou qualquer outro gênero alimentício que tenha cafeína, não é pecado!

“Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade. Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados” (Tt 1:14-15).

Para os puros, o café é puro, pois sabe que o que purifica o coração do homem é a palavra que Cristo falou (Jo 15:3) mas, não o abster-se de café. Segundo as Escrituras, um só homem pecou, por isso todos pecaram (Rm 5:12 e 19) e precisam de Cristo, pois só através de um ato de justiça: a obediência de Cristo, vem a graça de Deus sobre todos os homens (Rm 5:18).

Deus prometeu água pura que purifica o homem de toda a imundície e de todos os ídolos, pois Ele dá um coração novo e põe um espírito novo. A água pura é o evangelho anunciado, que faz com que Deus crie um novo coração e dê um espírito reto (Sl 51:10).

"Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos e guardeis os meus juízos e os observeis" (Ez 36:25-27).

Enquanto a Bíblia diz que os homens perdidos estão entenebrecidos no entendimento, separados da vida que há em Deus pela ignorância e dureza do coração (Ef 4:18), há alguns que se intitulam profetas de Deus e anunciam que Satanás está conduzindo o mundo em cativeiro por causa de bebidas alcoólicas, fumo, café e chá preto[3].

Uma mulher que se diz profetiza, Ellen G. White, disse que: ‘tomar chá e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causam dano à alma’[4]. Ora, todos os nascidos segundo a carne e o sangue de Adão, estão mortos em delitos e pecado, independentemente de tomarem café ou não (Ef 2:1; Jo 1:13) e, se não crer em Cristo, permanecerão no pecado, mesmo se abstendo de beber café ou chá: "Por isso, vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados" (Jo 8:24).

Ellen G. White, através das suas profecias, contraria o próprio Cristo:

“Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não entra no seu coração, mas no ventre e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?” (Mt 7:18-19).

Um dos argumentos dos seguidores de Ellen White para a filosofia alimentar que propagam, busca amparo no seguinte verso:

“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1 Co 3:16 -17).

O contexto na qual o apóstolo Paulo faz tal abordagem não tem relação com alimentos, antes alerta os cristãos de Corinto quanto às invejas e contendas, vez que alguns se ensoberbeciam contra os outros cristãos (1 Co 3:30).

O apóstolo Paulo se apresenta como cooperador de Deus e os cristãos são tidos por lavoura e edifício de Deus (1 Co 3:9). Mas, alguns dos cristãos não permaneciam no fundamento posto pelo apóstolo Paulo: Cristo, antes queriam seguir a sabedoria que era decorrente do mundo (1Co 3:11 e 18-19).

Todos os cristãos devem ter cuidado ao edificar sobre Cristo, pois o que edificar sobre Cristo e, depois de o ter provado, se permanecer nele, receberá galardão (2 Co 5:10). Mas, se a obra que alguém edificou se deteriorar quando provada, sofrerá perda, todavia, o tal será salvo (1 Co 3:14 -15).

O apóstolo Paulo questiona os que sabiam acerca da posição deles em Cristo: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3:16). Em seguida, a líder espiritual dos adventistas afirma que, ‘se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá’, e a questão abordada não tem nada a ver com comida ou bebida, mas, com o fundamento que o apóstolo Paulo, como sábio construtor, colocou (1 Co 3:10-11).

Qualquer que busca colocar outro fundamento além do que está estabelecido por Deus, Jesus Cristo, busca destruir o santuário de Deus, portanto, será destruído por Deus: "Porque, ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Co 3:11).

O crente é santuário porque está edificado sobre a pedra angular, que é Cristo. Cristo é pedra viva e os crentes são pedras vivas, edificados casa espiritual (1 Pd 2:4-5). Individualmente, um crente não é santuário, mas, membro uns dos outros. Mas, apesar de existirem muitos cristãos, em Cristo são um só corpo: casa espiritual, templo de Deus (Ef 2:20-22).

Só é templo aquele que está edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas (Ef 2:20) e mantém comunhão uns com os outros: "Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros uns dos outros" (Rm 12:5; 1 Jo 1:3).

O crente em Cristo não precisa ter medo de cafeína, pois nada pode separá-lo do amor de Cristo Jesus. Se nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma criatura pode separar o cristão do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, a cafeína seria capaz? (Rm 8:38-39)

Qualquer alimento em excesso pode ser prejudicial à saúde, mas os alimentos não alienam o homem de Deus, antes, os homens estão alienados de Deus pela ignorância que os deixa entenebrecidos no entendimento, pois pensam que guardar dias ou abster-se de alimentos, é o que pode aproximá-los de Deus.

"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados" (Cl 2:16).

 

[1] “1783 εντευξις (enteuxis), de 1793; TDNT - 8:244,1191; n f 1) encontro 1a) entrevista 1a1) ato de reunir-se 1a2) visitar 1a3) conversar 1b) razão pela qual uma entrevista é realizada 1b1) conferência ou conversação 1b2) petição, súplica Sinônimos ver verbete 5828 e 5883”, e; “1793 εντυγχανω (entugchano) de 1722 e 5177; TDNT - 8:242,1191; v 1) iluminar uma pessoa ou algo, encontrar, afetar uma pessoa ou algo 2) ir ao ou encontrar uma pessoa, esp. com o propósito de conversar, consultar, ou suplicar 3) orar, pedir 4) fazer intercessões por alguém” Dicionário Bíblico Strong.

[2] “Quanto ao chá, ao café, fumo e bebidas alcoólicas, a única atitude segura é não tocar, não provar, não manusear” White, Ellen G., A Ciência do Bom Viver, Pág. 335. <http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=CBV&lang=pt&pagenumber=335> Consulta realizada em 01/07/16.

[3] “Satanás está levando o mundo em cativeiro, mediante o uso das bebidas alcoólicas e do fumo, café e chá preto” White, Ellen G., Evangelismo, 2007, Copyright©2013 EllenG.WhiteEstate, Inc. Pág. 417 < http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Evangelismo.pdf> Livro digital em PDF, consulta realizada em 01/07/16 .

[4] “Tomar chá e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causa dano à alma. Esses diletos ídolos criam excitação, ação mórbida do sistema nervoso; e depois que a influência imediata do estimulante passa, deixa abaixo do normal, na mesma proporção em que suas propriedades estimulantes elevaram acima do normal” White, Ellen G., Conselhos Sobreo Regime Alimentar, Ellen G. White 2007 Copyright©2013 EllenG.WhiteEstate, Inc. Pág. 366.


postador por: Claudio F. Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, desde 2004 exerce a função de Tenente da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudobiblico.org), com mais de 200 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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