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Salmo 38 – O Servo cego e mudo

Nesta previsão temos o Servo do Senhor rogando para não ser repreendido e castigado segundo a cólera e furor de Deus. Por que ele faz esta intercessão? Porque a previsão apontava o Servo do Senhor como alvo das flechas da ira e furor de Deus seriam direcionadas (v. 2).

As escrituras apontam inequivocamente que os salmos são profecias e que tais profecias aplicam-se à pessoa de Cristo ( 1Cr 25:1 ; Lc 24:44 ; Jo 5:39 ; Sl 40:7 ; At 8:34 ; At 2:30 -31).

Muitos salmos apontam para a deidade de Cristo ( Sl 45:6 -7 ; Hb 1:8 -9 ), outros abordam a filiação divina ( Sl 2:7 ), o seu sofrimento ( Sl 22), o seu reino ( Sl 132:11 ), sua obra ( Sl 118:16 -26), etc.

Alguns salmos apresentam o Messias na condição de Servo do Senhor ( Sl 40:6 -8 ; Hb 10:5 -7), porém, nestas previsões há alusão à iniquidades, erros, pecados, falhas, etc., o que geralmente impede de os interpretes aplicarem o salmo à pessoa de Cristo e aplicam-no ao rei Davi.

Cristo viveu entre os homens e, apesar de se sujeitar às mesmas fraquezas pertinentes aos homens, foi isento de pecado "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" ( Hb 4:15 ).

Porém, não podemos deixar de demonstrar que os salmos 31, 38, 39, 40, 41, etc., são messiânicos e aplicam-se integralmente à pessoa de Cristo, porém, a pessoa de quem o salmo trata, a exemplo do salmo 38, verso 18, temos o sujeito principal declarando sua iniquidade e que estava aflito por seu pecado: “Porque eu declararei a minha iniquidade; afligir-me-ei por causa do meu pecado” ( Sl 38:18 ).

Tais declarações ‘minha iniquidade’ ou ‘meu pecado’ levam os interpretes a recusarem sua aplicação à pessoa do Messias, mas resta a pergunta: o salmo aplica-se a Cristo ou não? Como poderia as Escrituras fazer alusão ao Messias, o Cordeiro de Deus inocente, declarando iniquidade e pecado? A previsão do salmista aplica-se a Cristo ou não?

Para levarmos adiante esta questão, se faz necessário lembrar que Cristo é o Servo do Senhor e, que na condição de servo é descrito como cego e surdo "Quem é cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? E quem é cego como o que é perfeito, e cego como o servo do SENHOR?" ( Is 42:19 ).

Também devemos lembrar a figura dos dois bodes: o da expiação e o emissário ( Lv 16:8 ), sendo que este último permanecia vivo e levava sobre si o pecado do povo ao deserto e aquele era oferecido a Deus para expiação do pecado.

O que chama a atenção nesta passagem de Levítico é que, o bode emissário, sobre o qual recaía o pecado de todo o povo, era conduzido ao deserto, ou seja, levado, guiado “E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso” ( Lv 16:21 ).

Ora, o bode levava sobre a sua cabeça todas as iniquidades, transgressões e pecados dos filhos de Israel, porém, era enviado ao deserto pela mão de um homem. O que isto significa? Que o bode necessitava de um condutor. Tomando o bode como figura, ele necessitava de um condutor do mesmo modo que um cego necessita. Portanto, daí advém a figura do Servo do Senhor sendo caracterizado como cego e surdo.

O texto mostra que Cristo é o Servo do Senhor cego e mudo e, que o bode da expiação e o bode emissário são figuras representativas da sua obra redentora e, portanto, quando da leitura dos salmos onde se tem um verso semelhante a este: “Porque eu declararei a minha iniquidade; afligir-me-ei por causa do meu pecado” ( Sl 38:18 ), se fez necessário verificar se há alguma alusão à cegueira ou surdez, como se lê no mesmo salmo: “Mas eu, como surdo, não ouvia, e era como mudo, que não abre a boca. Assim eu sou como homem que não ouve, e em cuja boca não há reprovação” ( Sl 38:13 -14), porque esta característica é um dos elementos que confirma a aplicabilidade integral à pessoa do Messias.

Deste modo, o leitor criará um paralelo entre as ideias seguintes:

  • Que o castigo que traz a paz foi aplicado a Cristo ( Is 52:5 );
  • Que ele foi contado entre os transgressores;
  • Levou sobre si o pecado de muitos;
  • Intercedeu pelos transgressores ( Is 52:12 ; Hb 2:17 ; Hb 4:15 ).

O interprete precisa ser perspicaz e perceber que, geralmente quando o salmo faz referencia ao Servo do Senhor através das figuras surdo e mudo, também fará alusão ao Messias declarando a sua iniquidade e o seu pecado “Mas eu, como surdo, não ouvia, e era como mudo, que não abre a boca. Assim eu sou como homem que não ouve, e em cuja boca não há reprovação (...) Porque eu declararei a minha iniquidade; afligir-me-ei por causa do meu pecado” ( Sl 38:13 -14 e 18).

Em algumas previsões dos salmistas teremos no mesmo verso alusão à transgressão e à característica própria exclusiva do Servo do Senhor “Livra-me de todas as minhas transgressões; não me faças o opróbrio dos loucos. Emudeci; não abro a minha boca, porquanto tu o fizeste” ( Sl 39:8 -9).

Tais previsões apresenta a fala do Servo do Senhor na primeira pessoa apontando as iniquidades e a impossibilidade de enxergar “Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam, e não posso ver. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração” ( Sl 40:12 ).

Ou, quando na previsão o Servo do Senhor clama porque ‘pecou’, invariavelmente o texto aplica-se a pessoa de Cristo, conforme Ele mesmo atestou aos seus discípulos “Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar” ( Jo 13:18 ); "Dizia eu: SENHOR, tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti (...) Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar" ( Sl 41:4 e 9 ).

Portanto, os leitores dos salmos precisam dar atenção especial a esta peculiaridade das previsões, pois fazem referencia ao Servo do Senhor que, sendo cego e mudo, levaria sobre si o pecado de muitos e que tais salmos, na essência, apresentam a intercessão d’Ele pelos transgressores.

Também é recomendável considerar que os tradutores da Bíblia, geralmente a traduziram da língua original para a nossa língua considerando, em muitos casos, que o salmista falava acerca de si mesmo, ou seja, que era somente um poema como expressão da alma do salmista, sem considerar que eram previsões segundo o Espírito de profecia ( 2Pe 1:21 ; Ap 19:10 ).

 

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