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"Prossigamos até a perfeição" Hb 6:1

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Salmo 23 - O Senhor é o meu pastor, nada me faltará

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. O cálice transbordante é símbolo de alegria ou de ignominia? A mesa preparada propõe reconciliação com o inimigo, ou aponta para a vítima da festa? O Salmo 23 é uma parábola que faz referência a um rebanho, ou é uma profecia acerca de uma ovelha específica? O Salmo 23 só ganha sentido quando analisado sob o prisma da vítima perfeita escolhida e preservada por Deus: o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: "Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?" ( Jo 18:11 ).

 

 

    1. O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
    2. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.
    3. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
    4. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
    5. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
    6. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.

 

Introdução

À época de Jesus, os judeus liam diariamente as Escrituras porque entendiam que elas contêm vida eterna, porém, quando a vida eterna que estava junto ao Pai se manifestou, rejeitaram o Verbo da vida ( 1Jo 1:1 -2; Rm 2:20 ). É neste contexto que Jesus disse: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" ( Jo 5:39 ).

Para analisar o Salmo 23, seguiremos a orientação de Jesus: “São elas (as Escrituras) que de mim testificam”, ou seja, os salmos, os profetas e a lei apresentam o testemunho de Cristo “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos” ( Lc 24:44 ).

O salmista Davi era profeta e os seus cânticos são profecias acerca de Cristo em forma de poesia ( Mc 12:36 ; At 2:30 e 1Cr 25:1 ).

O Salmo 23 nos faz lembrar que todos os que creem em Cristo são ovelhas do Seu rebanho, porém, diferente do que muitos foram condicionados a pensar, o Salmo 23 não apresenta a expressão de um rebanho de ovelhas, antes é a expressão de confiança de uma ovelha específica: ‘O Senhor é o meu pastor...’, e não o Senhor é o ‘nosso’ pastor.

O segredo para interpretar as figuras e os enigmas do Salmo 23 está em descobrir quem é a pessoa que expressa tamanha confiança em Deus. Como o salmo 23 não foi composto da perspectiva de um rebanho, antes apresenta a perspectiva de uma única ovelha, devemos responder a pergunta feita pelo eunuco da rainha de Candace: "E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?" ( At 8:34 ).

Através da exposição de Filipe fica claro que um profeta não profetiza acerca de si mesmo. Como profeta, Davi não foi diferente de Isaias, ambos profetizavam acerca do Messias. Para descobrir quem é a pessoa que assume a condição de ovelha confiante em Deus é essencial visualizar os salmos como profecias que apresentam aspectos da vida, morte e ressurreição de Cristo.

Há um aspecto essencialmente importante a se considerar antes de interpretar o Salmo 23: a vítima da festa. Para um cordeiro ser oferecido em holocausto, segundo a lei, devia ter um ano de idade e sem defeito algum, portanto, para a oferta ser agradável a Deus, o pastor devia dispensar um cuidado especial para com a vítima.

O cuidado do pastor era indispensável para que a ovelha chegasse à idade estabelecida sem qualquer defeito como cegueira, quebradura, aleijamento, verrugas, sarnas, impigens, etc. "O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras" ( Êx 12:5 ).

Diante da necessidade e do volume de oferendas pela expiação, as ovelhas para o sacrifício tinham que receber cuidados especiais para não faltar vítimas de um ano e sem defeito. O cuidado do pastor era indispensável para que a ovelha estivesse à altura da sua missão: posta como vítima da festa para expiação ( Nm 6:14 ).

Deus escolheu Cristo como a vítima da festa a ser atada sobre o altar ( Sl 118:27 ), concomitantemente, o Cordeiro de Deus recebeu um cuidado específico e efetivo para cumprir a missão do Sumo Pastor, que colocou a alma de Cristo por expiação dos pecados da humanidade ( Is 53:10 ).

O Salmo 23 apresenta o Cordeiro de Deus sob cuidado do Sumo Pastor, pois Ele foi enviado como a vítima para o sacrifício perfeito ( Is 53:7 ). Muitos, equivocadamente, buscam e pedem a proteção exarada no Salmo 23, porém, não atinam que a proteção nele descrita tem em vista um cálice "Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos" ( Mt 20:22 ).

O salmo 23 é uma parábola, e como parábola contém várias figuras que compõe um enigma. Primeiro desvendaremos as figuras que compõe o enigma e, ao final da releitura do Salmo 23, apresentaremos o significado da parábola.

 

“O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará” (v. 1)

Temos neste verso uma expressão de confiança: O Senhor é o meu pastor, e, em seguida, uma conclusão: nada me faltará. Como poesia, há nesta frase do Salmo um paralelismo sintético construtivo ou formal, em que a segunda parte da frase amplia ou acrescenta nova ideia a asserção anterior.

Vale destacar algumas nuances linguísticas pertinentes à segunda assertiva da frase ‘... nada me faltará’.  Segundo os linguistas que trabalham o hebraico, o verso 1 do Salmo 23 pode ser traduzido por: “O Senhor é pastagem”, isto porque o termo ‘pastagem’ no hebraico assemelha-se ao possessivo ‘meu pastor’ por possuírem radicais idênticos com sutil diferença quanto aos pequenos sufixos e pontuações.

Para uma interpretação segura, vale lançar mão de outro salmo. O Salmo 16, verso 2 e 5, assim reza: “A minha alma disse ao SENHOR: Tu és o meu Senhor. Não tenho outro bem além de ti (...) O SENHOR é a porção da minha herança e do meu cálice” ( Sl 16:2 e 5; Sl 142:5 ). A ênfase dos versos está em Deus, que é ‘bem’, ‘herança’ e ‘cálice’, figuras que não têm conotação de bens materiais.

Neste diapasão, concordo com alguns linguistas que entendem que o termo traduzido por ‘nada’ é uma adaptação linguística dos tradutores, e quando sugerem ser mais conveniente traduzir o verso por: “O Senhor é o meu pastor, não faltará a mim” (v. 1 ; Sl 23:4 ). Deste modo o verso enfatiza o cuidado perene de Deus, e não o patrocínio de bens materiais ou status deste mundo.

 

“Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas” (v. 2)

Após declarar que o Senhor é pastor, o salmo 23 apresenta algumas figuras que representam o cuidado provedor de Deus para o homem que se posiciona confiante diante de Deus, como uma ovelha se sujeita ao cuidado de um pastor.

‘Pastos verdejantes’ e ‘águas tranquilas’ é tudo o que uma ovelha necessita, de modo que são figuras para retratar o cuidado de Deus.

A nação de Israel foi preparada para trazer o Cristo ao mundo, de modo que foi concedido a Israel a adoção de filhos, a glória, as alianças, a lei, o culto e as promessas ( Rm 9:4 ; Dt 4:8 ). Um retrato perfeito da missão dada a Israel vê-se na visão de João que consta no livro de Apocalipse, capítulo 12, onde é narrado através de um parábola o resumo da história do povo de Israel, demonstrando que uma mulher (Israel) prestes a dar a luz um varão que irá reger as nações com vara de ferro (o Filho do homem), é perseguida pelo dragão (Satanás) “E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono” ( Ap 12:1 -17 ).

Apesar da apostasia dos lideres e do povo de Israel, ao outorgar a lei e o testemunho dos profetas, Deus estabeleceu um pasto verdejante para o Cristo. A linhagem de Cristo recebeu proteção especial, sendo necessário a inclusão de duas mulheres gentílicas, Rute e Raabe, para que o Cristo viesse ao mundo. Por sua vez, a nação de Israel quase é exterminada, mas Deus a protegeu ( Et 3:13 ; Sl 22:9 -10).

O apóstolo Paulo ensinou que Deus não tem cuidado de bois, quando disse: "Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois?" ( 1Co 9:9 ), de modo que o Salmo 23 não faz referencia a animais de rebanho, como bois e ovelhas, antes diz de um homem que confia no cuidado que Deus dispensa a Ele.

A ênfase do Salmo 23 está no cuidado de Deus como Sumo Pastor, o homem que figura como ovelha é parte coadjuvante!

‘Pastos verdejantes’ e ‘águas tranquilas’ são figuras que rementem à vontade de Deus revelada na sua palavra, que é alimento, água e vida "E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem" ( Dt 8:3 ).

Alimentar-se de maná (pão) não trouxe vida ao povo de Israel, antes é o comer da palavra de Deus que dá vida ao homem "Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre" ( Jo 6:58 ).

Apesar de Israel abrigar a vinda do Messias ao mundo, estava como ovelha sem pastor, o que contrasta com a condição do homem do salmo 23, que tem Deus como pastor em função da sua total confiança na fidelidade de Deus.

O povo de Israel foi levado cativo por falta de entendimento, ou seja, não gozaram do cuidado de Deus, antes estavam famintos e sedentos. A falta de conhecimento de Deus resulta em sede e fome, o que demonstra que ter o Senhor como pastor é o mesmo que ser farto do conhecimento de Deus.

Estar em pastos verdejantes e com águas tranquilas é estar pleno de entendimento "Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede" ( Is 5:13 ); "Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR" ( Am 8:11 ; Ez 34:1 -15).

Enquanto era dito às ovelhas desgarradas que andavam sem pastor: "Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele" ( Jr 6:16 ), a ovelha sob cuidado do Senhor tinha a certeza de que a sua alma seria restaurada ( Sl 62:1 ).

A ovelha sob cuidado do Senhor de nada tem falta, pois se alimenta da palavra de Deus, o que contrasta com a condição dos filhos dos leões (lideres de Israel que devoravam o povo como se fosse pão) que necessitam e passam fome "A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e a sua língua espada afiada" ( Sl 57:4 ;  Sl 34:10 ; Sl 53:4 ; Is 28:14 ).

Os lideres de Israel são nomeados ‘loucos’, ‘néscios’, ‘faltos de entendimento’ por rejeitarem a palavra de Deus, a comida que livra da destruição “Os loucos, por causa da sua transgressão, e por causa das suas iniquidades, são aflitos. A sua alma aborreceu toda a comida, e chegaram até às portas da morte. Então clamaram ao SENHOR na sua angústia, e ele os livrou das suas dificuldades. Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição” ( Sl 107:17 -20).

O corpo depende de alimento cotidiano, e a alma da palavra de Deus, de sorte que quem ouve a palavra de Deus come o que é bom ( Is 55:2 ); “Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta” ( Sl 107:9 ). 

No salmo 57 temos uma profecia acerca de Cristo quando abrigado sob a sombra das asas do Pai ( Sl 57:1 ; Sl 91:1 ). O salmo descreve que Deus envia a sua misericórdia e a sua verdade para livrar o Messias daqueles que procuravam matá-lo ( Sl 57:3 -4); "Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas bocas; arranca, SENHOR, os queixais aos filhos dos leões" ( Sl 58:6 ; Sl 23:6 ).

Como Deus é apresentado como pastor, e a ovelha uma figura que representa um homem sob o cuidado de Deus, ‘pastagem’ e ‘águas tranquilas’ não diz de roupas, casas, carros, casamentos, alimento, antes diz da justiça de Deus proveniente da Sua palavra.

O pasto e as águas que Deus providencia tem por alvo os que têm sede e fome de justiça, ou seja, de ouvir a palavra de Deus "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos" ( Mt 5:6 ); "Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR" ( Am 8:11 ); "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura" ( Is 55:2 ).

O descanso e o refrigério só são possíveis quando se dá ouvido à palavra de Deus, que é doutrina e conhecimento “Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” ( Is 28:12 ; Is 28:9 ).

Os mestres de Israel tropeçaram quando interpretavam os profetas e a lei considerando-se filhos de Abraão por serem descendentes da carne de Abraão. Não consideraram que só os crentes que detém a mesma fé que crente Abraão são filhos de Abraão, pois a Abraão foi anunciado o Cristo e ele creu. Quando Cristo veio esses mestres tropeçaram na pedra que Deus estabeleceu e a mesa (doutrina) deles se tornou em laço, de modo que perseguiram o aflito de Deus “Torne-se-lhes a sua mesa diante deles em laço, e a prosperidade em armadilha. Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente. Derrama sobre eles a tua indignação, e prenda-os o ardor da tua ira. Fique desolado o seu palácio; e não haja quem habite nas suas tendas. Pois perseguem àquele a quem feriste, e conversam sobre a dor daqueles a quem chagaste. Acrescenta iniquidade à iniquidade deles, e não entrem na tua justiça” ( Sl 69:22 -27 ; Is 28:8 ; Is 43:27 ).

É por isso que Jesus disse: "Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus" ( Mt 16:6 ), pois a mesa deles era um laço: "Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus" ( Mt 16:12 ).

Israel não se alimentou do pasto e das águas tranquilas providenciadas por Deus, antes se assentavam em uma mesa plenas de vômitos e imundícias, uma mesa que não continha o conhecimento de Deus “Porque todas as suas mesas estão cheias de vômitos e imundícia, e não há lugar limpo” ( Is 28:8 ; Is 65:11 ).

Embora os filhos de Jacó fossem os guardiões da lei e do testemunho dos profetas, eles não davam ouvidos à palavra de Deus “Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele" ( Jr 6:16 ).

 

“Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome” (v. 3)

O verso 3 complementa a ideia do verso 2:

Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas” (v. 2)

Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome” (v. 3)

O alimento providenciado por Deus proporciona descanso, refrigério e restaura a alma aflita, pois é Ele quem guia as águas tranquilas, ou seja, pelas veredas da justiça "A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices" ( Sl 19:7 ).

O cuidado do Senhor está atrelado ao zelo do Seu nome, pois Ele é fiel “Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; assim, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me” ( Sl 31:3 ).

As vicissitudes do mundo fazem parte da existência do homem, quer seja salvo ou não ( Jo 16:33 ; Ec 7:14 ), pois foi Deus quem estabeleceu como consequência da ofensa de Adão que o homem se sustentaria (comerá) do suor do seu rosto até retornar ao pó ( Gn 3:19 ). É um erro pensar que os salmos possuem poderes místicos para livrar o homem dos problemas diários.

 

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”(v. 4)

A confiança da ‘ovelha’ no Sumo Pastor pode ser dimensionada através da circunstância que o cerca: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum...”. O motivo de tamanha confiança vem expresso no Salmo 138: “Andando eu no meio da angústia, tu me reviverás; estenderás a tua mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salvará” ( Sl 138:7 ).

A penalidade decorrente da ofensa de Adão impôs medo a todos os homens, mas a ‘ovelha’ em comento não teme mal algum ao percorrer as ‘regiões da morte’, pela certeza de que Deus, como Pastor, jamais faltará (v. 1; Hb 2:15 ). Deus é o Pastor da ‘ovelha’ porque ela não pertence ao pecado como os demais homens.

A ‘sombra da morte’ é uma figura para fazer referencia ao mundo dos homens que jazem separados de Deus, ou seja, estão mortos, alienados de Deus “Alguns se assentam nas trevas e nas sombras da morte, presos de aflição e em ferro, por se haverem rebelado contra as palavras de Deus, e desprezado o conselho do Altíssimo (...) Tirou-os das trevas e das sombras da morte e quebrou as suas cadeias” ( Sl 107:10 -11 e 14; Is 9:2 ).

Esta mesma figura é utilizada pelo profeta Isaias quando faz referencia a Cristo como a luz dos povos “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ).

A humanidade alienada de Deus habita na região da sombra da morte e estão presos por causa da lei que diz: ‘certamente morreras’ ( 1Co 15:56 ). Mas Cristo foi dado como luz dos que jazem em trevas, tirando-os da prisão "Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas" ( Is 42:7 ); "Para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei. Eles pastarão nos caminhos, e em todos os lugares altos haverá o seu pasto" ( Is 49:9 ); "Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço preserva aqueles que estão sentenciados à morte" ( Sl 79:11 ); "Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados à morte" ( Sl 102:20 ).

‘Sombra’ é uma figura que pode representar proteção, abrigo, ou o que é efêmero, passageiro, ou uma imagem desfocada ( Gn 19:8 : Jz 9:15 ; Sl 17:8 ; Jó 8:9 ; Jó 14:2 ; Sl 102:11 ; Hb 10:1 ). O versículo 4 do Salmo 23 faz referencia à condição do homem que está no mundo apenado com a morte em decorrência da ofensa de Adão.

Por causa da ofensa de Adão toda a humanidade passou à condição de mortos para Deus, a retribuição decorrente da ofensa ( Rm 5:15 ).

Deus é vida, e o homem alienado de Deus está morto. Deus é luz, e o homem separado de Deus é trevas. Como a humanidade está morta em delitos e pecados (jaz no maligno), todos os homens residem à sombra da morte, visto estarem alienados de Deus.

Para resgatar a humanidade que estava em trevas, Cristo foi introduzido no mundo, à sombra da morte, de modo que Ele é o Sol nascente das alturas que brilhou sobre a humanidade “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” ( Jo 1:5 ) “Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” ( Lc 1:79 ).

Quando o homem crê em Cristo é arrancado do reino da morte e transportado para o reino do Filho do amor de Deus ( Cl 1:13 ); “Então clamaram ao SENHOR na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades. Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões. Louvem ao SENHOR pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. Pois quebrou as portas de bronze, e despedaçou os ferrolhos de ferro” ( Sl 107:13 -16).

Mas a profecia é mais especifica: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte...” (v. 4). A sombra da morte refere-se à humanidade alienada de Deus, o vale refere-se aos filhos de Jacó que não se deixam alcançar pela luz.

O profeta Jeremias nomeia os filhos de Jacó como a ‘moradora do vale’, ‘pedra da campina’ “Eis que eu sou contra ti, ó moradora do vale, ó rocha da campina, diz o SENHOR; contra vós que dizeis: Quem descerá contra nós? Ou quem entrará nas nossas moradas?” ( Jr 21:13 ); "Por isso farei de Samaria um montão de pedras do campo, uma terra de plantar vinhas, e farei rolar as suas pedras no vale, e descobrirei os seus fundamentos" ( Mq 1:6 ).

Quando João Batista passou a clamar no deserto da Judéia dizendo: - “Arrependei-vos”, buscava cumprir a sua missão: aplainar o caminho do Senhor. Era imprescindível uma mudança de concepção acerca de como ser salvos, abandonando as veredas não aplainadas por Deus ( Is 40:2 -3 ; Is Lc 1:76 ; "Contudo o meu povo se tem esquecido de mim, queimando incenso à vaidade, que os fez tropeçar nos seus caminhos, e nas veredas antigas, para que andassem por veredas afastadas, não aplainadas" ( Jr 18:15 ).

O ‘vale’ diz dos filhos de Jacó que se opuseram a Cristo, conforme descrevem os Salmos 69, 22, 64, etc. Por que o Cordeiro de Deus não haveria de temer quando no vale entre os leões? "A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e a sua língua espada afiada" ( Sl 57:4 ). Porque estaria abrigado à sombra das asas de Deus ( Sl 57:1 ; Sl 91:1 ).

Enquanto os que habitavam nas regiões da sombra da morte viram uma grande luz, os que estavam no vale da sombra da morte se opuseram à luz verdadeira, tornando-se opositores da luz "Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo" ( Jo 1:9 ; Jo 10:36 ).

Fazer a vontade de Deus é ser guiado em terra aplainada, o caminho preparado por Deus "Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele" ( Jr 6:16 ). Cristo foi guiado por terra plana “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito é bom; guie-me por terra plana” ( Sl 143:10 ). 

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