Estudos Biblicos

O emprego do termo ‘ágape' na Bíblia

postador por: Claudio F. Crispim
01 Ago 2017
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De todos os termos gregos utilizados para ‘amor’, como ‘érōs’, ‘storgé’, ‘philos’, ‘ágape’, o termo ‘ágape’ foi escolhido e utilizado pelos apóstolos por ser um termo sem um significado preciso, para que os cristãos não confundissem sentimentos e paixões como sendo o dever de se obedecer ao mandamento de Deus.



Introdução

Qual definição do termo ‘ágape' utilizar ao ler as Escrituras? Os termos amor, caridade, compaixão, etc., serve para traduzir o termo 'ágape'?

 

Definições acerca do amor

Uma consulta nos buscadores da rede mundial de computadores é suficiente para seremos inundados por diversos conceitos e definições acerca do termo ‘amor’. Mas, é seguro adotarmos qualquer definição?

Podemos nos socorrer da definição de Camões?

“Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói, e não se sente;

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer” Luís Vaz de Camões.

Seriam seguras algumas das seguintes definições de Shakespeare?

“O amor é como a criança: deseja tudo o que vê”;

“O verdadeiro nome do amor é cativeiro”;

“O amor só é amor, se não se dobra a obstáculos e não se curva às vicissitudes... é uma marca eterna... que sofre tempestades sem nunca se abalar”.

Uma das definições de Platão?

“O amor é a busca do todo”;

“O amor é uma força, uma energia, que se manifesta na alma como um sentimento de lembrança de algo que a alma já teve, mas perdeu”;

“O amor é filho da pobreza e da riqueza: da pobreza, porque constantemente pede, e da riqueza porque constantemente se dá”.

Aristóteles pode auxiliar na compreensão do amor bíblico?

“O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição”;

“O amor só acontece entre pessoas virtuosas”.

Basta uma das definições que constam dos dicionários?

“amor ô/ substantivo masculino 1. forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais. 2. atração baseada no desejo sexual”.

As definições acima estão embebidas no subjetivismo, ou seja, uma tendência para se considerar e avaliar o ‘amor’ de um ponto de vista meramente pessoal.

O ‘amor’ bíblico pode ser subjetivista? De modo algum. O ‘amor’ bíblico não pode ser subjetivo, vez que cada indivíduo poderia considerar o amor e/ou 'amar' a sua própria maneira!

Mas, onde encontrar uma definição objetiva para o termo traduzido por amor quando empregado na Bíblia. Como encontrar uma definição segundo o contexto das Escrituras que seja de validade geral e que fundamente a compreensão das Escrituras de modo comum a todos os homens?

Exemplo: a lei da gravidade é objetiva e de validade geral, ou seja, não depende dos sentimentos, da vontade, da moral, das emoções, etc., dos indivíduos, antes todos igualmente sucumbem à força da gravidade.

Um dicionário bíblico auxiliaria na compreensão do amor bíblico?

“amar, ter afeição por, gostar—1. de pessoas: Deus Jo 3.16; Jesus, Mc 10.21; pessoas humanas 2 Co 12.15. Amar, querer bem "adorar", mostrar-se solícito, a mais típica e excelente virtude cristã (mais frequente e tipicamente cristã do que φιλέω, mas, prov., equivalente a ele em Jo 21.15-17). Provar ou mostrar amor Jo 13.1; 1 Jo3.18.—2. do amor a coisas: amar, ansiar, valorizar, ter em alta estima Lc 11.43; Jo 12.43; 2 Tm 4.8.” (GINGRICH, 1982, p. 10), e;

“I . amor, afeição, estima a mais sublime virtude cristã 1 Co 13.13; Gl 5.22—1. mútuo entre Deus e Cristo, Jo 15.10; 17.26, de Deus ou Cristo aos homens Rm 5.8, etc. A essência de Deus 1 Jo 4.8, 16.—2. de homens, a Deus ou Cristo, Jo 5.42; ou a outras pessoas 2 Co 8.7. —3. como uma qualidade abstrata Rm 13.10; 1 Co 8.1; 13.1-3 (sendo o sentido determinado mais amplamente pelo contexto da passagem).—II. uma festa de amor, uma refeição comunitária da Igreja Primitiva, Jd 12; 2 Pe 2. 13, v.l.” (GINGRICH, op. cit., p. 10).

O dicionário bíblico VINE da editora CPAD contem as seguintes definições:

“(’ãhab (bh-a=) ou ’ãheb (bh2a=): “amar, gostar”. Este verbo aparece no moabita e no ugarítico. Ocorre em todos os períodos do hebraico e ao redor de 250 vezes na Bíblia. Basicamente, este verbo é equivalente a “amar” no sentido de ter um forte afeto emocional e desejo ou de possuir ou de estar na presença do objeto”;

“('ahabãh (rçns): “amor”. Esta palavra aparece por cerca de 55 vezes e representa vários tipos de “amor”. A primeira ocorrência bíblica de 'ahabãh está em Gn 29.20, onde a palavra trata do “amor” entre homem e mulher como conceito geral. Em Os 3.1, a palavra e usada para aludir ao “amor” como atividade sexual. Em 1 Sm 18.3, 'ahabãh quer dizer “amor” entre amigos:”.

Seria apropriada a definição do escritor do livro ‘O monge e o executivo’?

“O amor é o que o amor faz”;

“Definição de amor serviu à liderança: "O ato de ser pôr a disposição dos outros, identificando e atendendo suas reais necessidades, sempre procurando o bem maior." James C. Hunter

Estaria a releitura de Hunter conforme a perspectiva do apóstolo Paulo?

“Em essência, que o amor é paciente, bom, não se gaba nem é arrogante, não se comporta inconvenientemente, não quer tudo só para si, não condena por causa de um erro cometido, não se regozija com a maldade, mas com a verdade, suporta todas as coisas, aguenta tudo. O amor nunca falha” James C. Hunter.

Cabe a definição de Paul Tillich:

“O primeiro dever do amor é ouvir”.

Ou a ideia de que o segrego do amor é a caridade?

“Caridade, no sentido teológico, isto é, na busca de uma relação verdadeira com Deus, é o amor humano vivido do jeito de Deus. Seria como dizer que Deus entra na pessoa e a faz capaz de amar como ele ama. Caridade é o amor de Deus realizado pelo amor humano. Jesus é o exemplo humano desse amor divino” Caderno Mística e Espiritualidade Cáritas Brasileira, pág. 17.

“É somente pelo devotamento ao próximo que a alma pode elevar-se a regiões espirituais superiores. Ela apenas encontrará a felicidade e consolação na prática da caridade”. (...) “A caridade é a virtude fundamental que deve sustentar todas as virtudes terrenas, pois sem ela as outras não existem”. (...) “A caridade é a ancora eterna da salvação em todos os mundos. É a mais pura emanação do próprio Criador. É a virtude mais elevada de Ele nos oferece” O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIII, item 12.

Seria o amor bíblico definido pelo termo grego ‘ágape’, pelo fato de no Novo Testamento Jesus e os apóstolo terem utilizado essa palavra?

 

O amor na Bíblia

Mil vezes não, pois é a própria Bíblia que define os termos que foram empregados, como se lê:

"Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados" (1 Jo 5:3);

“E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como já desde o princípio ouvistes, que andeis nele” (2 Jo 1:6).

Dai o alerta de Jesus:

“Se me amais, guardais os meus mandamentos” (Jo 14:15);

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14:21);

“Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos para ele e faremos nele morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras” (Jo 14:23-24).

De todos os termos gregos utilizados para ‘amor’, como ‘érōs’, ‘storgé’, ‘philos’, ‘ágape’, o termo ‘ágape’ foi escolhido e utilizado pelos apóstolos por ser um termo sem um significado preciso, para que os cristãos não confundissem sentimentos e paixões como sendo o dever de se obedecer ao mandamento de Deus.

“Amor (gr. agape) (1 Pe 4.8; Rm 5.5, 8; 1 Jo 3.1; 4.7, 8,16; Jd 21) Esta palavra raramente era usada na literatura grega, antes do Novo Testamento. E quando isso acontecia, ela era usada para expressar um ato de gentileza aos estrangeiros, de oferecer hospitalidade e ser caridoso”. O novo comentário b&iacu



te;blico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao Alcance de Todos, Editores Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H. Wayne House, Rio de Janeiro, 2010, pág. 701. 

“agapaõ que, originalmente, significava “honrar” ou “dar boas-vindas”, é, no Gr. clássico, a palavra que tem menos definição específica; frequentemente, se emprega como sinônimo de phileõ, sem haver qualquer distinção, necessariamente nítida, quanto ao significado (...) 4. Não está clara a etimologia de agapaõ e agapè. O vb. agapaõ aparece, frequentemente, na literatura gr. de Homero em diante, mas o subs. agapè é uma construção, que só aparece no Gr. posterior. Foi achada uma só referência fora da Bíblia: ali, a deusa Isis recebe o título de agapè (P. Oxy, 1380, 109; século II d.C.), agapaõ é frequentemente uma palavra descolorida em Grego e aparece, com frequência, como alternativa para, ou sinônimo com, eraõ e phileõ, com o significado de “gostar de”, “tratar com respeito”, “estar contente com”, e “dar as boas-vindas”. Quando, em raras ocasiões, se refere a alguém que foi favorecido por um deus (cf. Dio. Cris., Orationes 33, 21), fica claro que, diferentemente, de eraõ, não se refere ao anseio humano por posses ou valores, mas, sim, uma iniciativa generosa de uma pessoa por amor à outra”. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Colin Brown, Lothar Coenen (orgs.); [tradução Gordón Chown] — 2ª ed. — São Paulo; Vida Nova, 2000, págs. 113 e 114.

Para compreender o significado do termo ‘amor’ na Bíblia, temos que pensar nas estruturas e organização das sociedades aristocratas da antiguidade, principalmente nas leis que regiam a relação senhor e servo.

Tomas Hobbes, em 1651, na sua obra ‘O Leviatã’, fez as seguintes considerações sobre os termos: obediência, amor, honra e caridade:

“A obediência exigida por Deus, que aceita em todas as nossas ações a vontade pelos atos, é um esforço sério de lhe obedecer e é também denominada com todos aqueles nomes que significam esse esforço. E, portanto a obediência é umas vezes denominada com os nomes de caridade e amor, porque implicam a vontade de obedecer e, mesmo nosso Salvador, faz de nosso amor a Deus e ao próximo um cumprimento de toda a lei”. Hobbes de Malmesbury, Thomas, Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil, Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva.

“Obedecer é honrar, porque ninguém obedece a quem não julga capaz de ajudá-lo ou prejudicá-lo. Consequentemente, desobedecer é desonrar (...) Louvar, exaltar ou felicitar é honrar, pois nada é mais prezado do que a bondade, o poder e a felicidade. Depreciar, troçar ou compadecer-se é desonrar” Idem, pág. 78.

O amor estabelecido por Jesus indica sujeição a um senhor. O amor que Jesus exige é serviçal, sujeito ao seu senhorio, conforme expresso no seu convite:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11:28-30).

“E por que me chamais, SENHOR, Senhor, se não fazeis o que eu vos digo?” (Lc 6:46).

Os termos traduzidos por ‘amor’ e ‘ódio’, dependendo do contexto, não se referem a sentimentos, mas à ideia de sujeição, quando se obedece, ou seja, honra um senhor. 

"Ninguém pode servir a dois senhores;

porque ou há de odiar um e amar ao outro,

ou se dedicará a um e desprezará ao outro.

Não podeis servir a Deus e a Mamom" (Mt 6:24).

A definição do amor bíblico foi dada por Deus ao povo de Israel, por intermédio de Moisés, conforme expresso no livro do Êxodo:

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Ex 20:6).

Assim, decorre de Êxodo 20, verso 6, a declaração: 

"Eu amo aos que me amam e os que cedo me buscarem, me acharão" (Pv 8:17).

O amor bíblico é objetivo e condicional:

"Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados" (1Sm 2:30);

"O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?" (Ml 1:6);

"Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens" (Mc 7:7).

Os termos ‘honra’, ‘amor’, ‘obediência’, etc., são intercambiáveis:

"Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou" (Jo 5:23);

“Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará” (Jo 12:26).

O vínculo da perfeição: obediência!

"E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição" (Cl 3:14).

Obediência é amor:

"Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele" (1Jo 2:5);

"No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor" (1Jo 4:18).

A definição paulina de amor cabe só ao obediente:

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha” (1Co 13:4 -8).

Quem se sujeita em obediência ao seu senhor não é invejoso, não suspeita mal, não se ensoberbece, etc.

A melhor definição do termo amor na Bíblia, dependendo do contexto, é:

Com relação ao homem obediência, com relação a Deus, cuidado!

Quando se lê:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).

No enunciado joanino temos implícito um mandamento de Deus: crer em Cristo, que por outro lado demanda obediência!

No dicionário bíblico VINE, em uma das últimas definições do termo hebraico traduzido por amor, temos a seguinte observação:

“Às vezes, 'ãhab (ou 'ãheb) descreve um forte afeto especial que um escravo tem por seu senhor sob cujo domínio ele deseja permanecer: “Mas, se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos, não quero sair forro” (Êx 21.5). Talvez aqui haja uma implicação de amor familiar; ele “ama” seu senhor como um filho “ama" seu pai (cf. Dt 15.16). Esta ênfase pode estar em 1 Sm 16.21, onde lemos que Saul “amou muito” Davi. Israel veio a “amar” e admirar profundamente Davi, de forma que eles observavam todos os seus movimentos com admiração (1 Sm 18.16) (...) Uso especial desta palavra diz respeito a um afeto especialmente íntimo entre amigos: “A alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma” (1 Sm 18.1). (...) Este verbo é usado politicamente para descrever a lealdade de um vassalo ou subordinado ao seu senhor. Hirão, rei de Tiro, “amou" Davi no sentido de que este lhe era completamente leal (1 Rs 5.1)” Dicionário Bíblico VINE, CPAD.

O dicionário apresenta o termo hebraico conforme o estabelecido no Êxodo como sendo um forte afeto (sentimento), porém, o que o texto quer destacar é a total submissão do servo ao seu senhor, o que sobressai sobre o sentimento de afeição.

Nesse mesmo diapasão, temos o amor de Jonatas para com Davi, que em essência é honra, semelhante ao amor de Hirão.

Essa nuance do termo hebraico passam implicitamente para o termo grego ‘ágape’ quando é expresso o dever de amar o próximo, como se lê:

“Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor(Ef 4:2);

"Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros" (Rm 12:10).

Aquele que prefere o outro em honra, segundo o mandamento de Cristo, é o que ama a Cristo. Aquele que suporta o outro, na verdade ama cordialmente com amor fraternal.


postador por: Claudio F. Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, desde 2004 exerce a função de Tenente da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudobiblico.org), com mais de 200 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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