Estudos Biblicos

Qual Maria derramou perfume nos pés de Jesus?

postador por: Claudio F. Crispim
02 Jan 2017
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O que se percebe da leitura dos evangelhos sinóticos é que, seis dias antes da festa da Páscoa, Maria, irmã de Lázaro, na cidade de Betânia, durante um jantar, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com os seus cabelos. Posteriormente, outra mulher, cujo nome não é revelado, na casa de Simão, o leproso, derramou do mesmo perfume sobre a cabeça de Jesus, ungindo, assim, o seu corpo (Mt 26:7 e 12; Mc 14:3 e 8).


Qual Maria derramou perfume nos pés de Jesus?

O evangelista João narra que Jesus, seis dias antes da festa da Páscoa, foi à cidade de Betânia, cidade de Lázaro, o que ficou morto por quatro dias e a quem Jesus ressuscitou dentre os mortos (Jo 12:1).

Foi oferecido um jantar e, como de costume, Marta serviu a mesa, na qual estavam Jesus e Lázaro, entre outros (Lc 10:40; Jo 12:2).

Em determinado momento, durante a ceia, na presença dos discípulos, Maria pegou um arrátel[1] de unguento de nardo puro, de grande valor, e ungiu os pés de Jesus. Em seguida, passou a enxugar os pés de Jesus com os seus cabelos, de modo que a casa ficou perfumada com o cheiro do unguento (Jo 12:3).

Essa é a mesma Maria que permanecia aos pés de Jesus, para ouvir os seus ensinos, enquanto Marta cuidava dos afazeres domésticos (Jo 11:2; Lc 10:42).

Os evangelistas Mateus e Marcos narram um evento semelhante, que trata de uma mulher que derramou um perfume, ato semelhante ao realizado por Maria, irmão de Lázaro, porém, essa mulher derramou o nardo puro sobre a cabeça de Jesus e não utilizou o seu cabelo para secá-lo.

O evangelista Marcos situa o evento no tempo, como sendo dois dias antes da páscoa e, ambos, Mateus e Marcos plotam o local como sendo a casa de Simão, o leproso (Mc 14:1-3; Mt 26:6-7).

Diferentemente de João, os evangelistas Mateus e Marcos não registraram o nome da mulher, o que demonstra que ela era uma desconhecida do círculo dos apóstolos, vez que todos conheciam Lázaro e as suas duas irmãs, Marta e Maria.

Conhecer a identidade da pessoa ou, a relação dela com outra, que é muito conhecida, faz com que os narradores não se esqueçam de dizer o nome da pessoa. O evangelista João não cita o nome da mulher samaritana, pois ela era desconhecida dos discípulos e não tinha nenhuma proximidade com eles. O que marcou a mulher foi sua origem, Samaria, o que era, suficientemente, importante para a narrativa (Jo 4:7).

Lucas narra outro evento, envolvendo Jesus e uma mulher, quando um fariseu o convidou para comer. Quando Jesus estava assentado à mesa, aproximou-se uma mulher que, chorando, lavava os pés de Jesus com lágrimas e enxugava os seus pés com os cabelos; e, em seguida, beijava e ungia os pés de Jesus com o unguento que estava no vaso (Lc 7:37-38).

O fariseu, ao ver essa cena, murmurou, dizendo: “Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora” (Lc 7:39). O fariseu conhecia a mulher e rotulou-a como pecadora, mas o evangelista Lucas não a conhecia e nem o seu nome seria relevante, por não ter relação alguma com outros personagens do Novo Testamento.

O que se percebe da leitura dos evangelhos sinóticos é que, seis dias antes da festa da Páscoa, Maria, irmã de Lázaro, na cidade de Betânia, durante um jantar, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com os seus cabelos. Posteriormente, outra mulher, cujo nome não é revelado, na casa de Simão, o leproso, derramou do mesmo perfume sobre a cabeça de Jesus, ungindo, assim, o seu corpo (Mt 26:7 e 12; Mc 14:3 e 8).

Nas narrativas dos evangelistas Mateus e Marcos, Jesus estava em Betânia, na casa do leproso Simão, quando uma mulher derramou sobre a cabeça dele um frasco de perfume caro. A ação da mulher provocou indignação nos discípulos, que alegaram que o perfume era caríssimo e que podia ser dado aos pobres. Jesus, por sua vez, repreendeu os discípulos, destacando a lei (Dt 15:11) e que o ato daquela mulher era o prenúncio de sua morte e sepultura, o que seria relatado onde quer que o evangelho fosse anunciado (Mt 26:10-13; Mc 14:6-9).

João, no seu Evangelho, conta que o fato aconteceu em Betânia, seis dias antes da Páscoa, e que Lázaro se fazia presente. Ele destaca que Maria pega o perfume e unge os pés de Jesus, enxugando-os com seus cabelos, enquanto Marta servia a mesa, o que sugere que o jantar se deu na casa de Lázaro.

Maria, chamada Madal



ena, não é a irmã de Lázaro. A única informação que temos acerca de Maria Madalena, é que ela foi liberta de espíritos malignos e que estava presente na hora da crucificação e da ressurreição de Jesus, acompanhando sua mãe, Maria.

"E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades, Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios" (Lc 8:2).

Maria Madalena, também, não era a mulher pecadora que lavou os pés de Jesus, com suas lágrimas, na casa do fariseu, conforme relatado pelo evangelista Lucas. Não há qualquer fundamento bíblico para considerar Maria Madalena como prostituta ou pecadora ou, como a irmã de Lázaro.

São Gregório Magno, que viveu há quase 1500 anos, foi quem identificou, erradamente, Maria Madalena como a "pecadora" de Lucas 8, verso 2, como sendo a mesma Maria de Betânia, irmã de Lázaro.

O evangelista João deixa claro que a mulher que ungiu os pés de Cristo, em Betânia, durante um jantar, tratava-se de Maria, a irmã de Lázaro (Jo 11:2). É improvável que evangelista tenha se equivocado quanto à identidade da pessoa que ungiu os pés de Cristo e os secou com os seus cabelos, pois ele conhecia as duas, portanto, conclui-se que não se trata de Maria Madalena.

O evangelista Lucas, após narrar o episódio da mulher que, na casa de um fariseu, lavou os pés de Jesus com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos, faz referência a Maria Madalena como uma seguidora de Jesus, com outras mulheres. Logo, ele conhecia Maria Madalena, e não há razão para que ele tenha omitido o nome dela, se a mulher que lavou os pés de Jesus com lágrimas fosse, realmente, Maria Madalena.

Vale destacar que o evento narrado pelo médico amado se deu pelas cercanias da Galileia e, em época diversa da Páscoa dos Judeus, que antecedeu a morte de Cristo. A última Páscoa só é relatada no capítulo 22, enquanto a história da mulher que regou os pés de Jesus foi relatada no capítulo 7.

Apesar das semelhanças que há entre as histórias narradas pelos evangelistas, as narrativas de Mateus e de Marcos, referem-se à mesma mulher que, por vez, não se trata de Maria, a irmã de Lázaro, e nem da pecadora relatada por Lucas.

As diferenças entre a história narrada por Mateus e por Marcos, da narrada por Lucas e por João, sugerem que a história escrita por Mateus e por Marcos trata de uma mulher desconhecida pelos apóstolos. Ela derramou o precioso bálsamo sobre a cabeça de Cristo, enquanto as outras duas mulheres, Maria, irmã de Lázaro e a pecadora, ungiram os pés de Cristo.

Mateus e Marcos não fazem referência à pessoa de Lázaro, apesar da sua importância histórica, bem como não fazem referência à Maria, irmã de Lazaro, uma mulher bem conhecida dos discípulos.

Embora Jesus estivesse em Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta, Jesus estava jantando na casa de Simão, o leproso, a dois dias da Páscoa, e não a seis dias, como narra o evangelista João.

A mulher que faz parte da narrativa de Mateus e de Marcos não utilizou os cabelos para secar os pés de Jesus, antes, somente derramou o perfume, do que se conclui que não se tratava de Maria, irmã de Lázaro, e nem mesmo de Maria Madalena, que era conhecidíssima dos discípulos.

 

Correção ortográfica: Carlos Gasparotto

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[1] Vaso de alabastro (um tipo de cerâmica usada na Antiguidade para armazenar óleo e perfume), com um arrátel (unidade de base de peso do antigo sistema Português de Medidas) de unguento de nardo puro, no valor aproximado a 300 dias de trabalho de um jornaleiro.


postador por: Claudio F. Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, desde 2004 exerce a função de Tenente da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudobiblico.org), com mais de 200 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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